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domingo, 18 de novembro de 2007

APRENDER A ENSINAR NÃO É MAIS IMPORTANTE DO QUE APRENDER A APRENDER


Francisco Carlos de Mattos**

Já quase adentrando o vigésimo quinto ano de magistério, conseguimos nos envolver com uma das melhores – senão a melhor!- aulas em todas as modalidades de ensino de que trabalhamos (Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação Superior).
Recebemos a visita de alguns alunos dos 1º e 2º segmentos de EJA de uma escola pública do Município de São Pedro da Aldeia e de um professor do curso, que ocupa o cargo de Diretor Adjunto, enquanto uma das etapas de um trabalho de pesquisa proposto à turma de 6º período, do Curso de Pedagogia, da Faculdade de Educação Silva Serpa, também no município acima citado.
Em suas falas, os alunos foram extremamente felizes na caracterização da escola e do que estavam buscando nela. Nos discursos não se distinguia o sentimento individualista de posse com pronomes tais como “meu”, “minha”, e sim expressões que conotam a conquista coletiva – e também a derrota, caso haja -, norteando-nos para a compreensão da essência do bom e velho socialismo, que “preconiza a propriedade coletiva dos meios de produção e a organização de uma sociedade sem classes” ¹.
Os monstros desengonçados de uma escolarização desconjuntada, os delatores de uma prática pedagógica descompromissada com a aprendizagem enquanto fenômeno salutar do processo educativo, um trabalho didático direcionado, o que nos parece incompreensível para a prática da derrota, as repetência e conseqüente evasão escolares são enfrentadas em grupo pelos próprios alunos, que antes mesmo de saberem soletrar ou escrever o vocábulo, já praticavam, vivenciavam a solidariedade, que, inconcebivelmente, demonstra ser inversamente proporcional a “academicização” de uma parcela significativa de indivíduos.
Pedir desculpas aos presentes (muitos professores e diretores do 1º segmento do Ensino Fundamental e o professor da turma) pelas prováveis palavras erradas que, por ventura, viessem a falar, já sustenta a sábia postura do “estamos na escola para aprender, para fazer dela uma ponte para a nossa construção do conhecimento” ou do “ainda não sabemos”.
Nas falas carregadas de emoção, de um puro sentimento de orgulho por estarem fazendo o que sempre gostariam, mas que não tiveram a oportunidade na época devida, na descoberta do quão importante são os atos de ler e escrever enquanto ferramentas para “novas invenções do cotidiano” CERTEAU, 2003)², com instrumentos para a construção de “astúcias, artimanhas” (op. Cit.) para o enfrentamento de um mundo pós-moderno, descobrimos o nosso próprio analfabetismo profissional, mergulhados na pseudo-sapiência das letras, e afogados em ciências que não nos ajudam a saber calçar as sandálias da humildade.
Foi preciso que mestres do mundo, doutores da vida sofrida adentrassem o espaço acadêmico, invadissem-nos (antes de invadir o espaço físico) as almas e as nossas consciências, para que pudéssemos, hilariantemente, descer dos saltos ou, de forma mais caricatural, nos estatelar no chão, nos desentocar do falso castelo de marfim.
Neste encontro, aprendemos que aprender a ensinar não é mais importante do que aprender a aprender.

* Texto-relatório produzido em 12/11/2004 pós debate com alunos de EJA, convidados de um grupo de estudo e pesquisa do 6º período do Curso de Pedagogia das Faculdades Silva Serpa.
** Mestre em Educação pela UERJ, professor e Orientador Educacional da Rede Municipal de Ensino de Cabo Frio e docente de Didática Geral do Curso de Letras da Ferlagos e de Educação e Trabalho, Educação e Movimentos Sociais e Avaliação Institucional da Faculdade de Educação Silva Serpa.
¹.Dicionário Michaelis – CD Uol, suporte ao Dicionários Michaelis Ltda.
². CERTEAU, Michel de. A Invenção do cotidiano: 1. Artes de fazer. [tradução de Ephraim Ferreira Alves].- Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

sábado, 10 de novembro de 2007

QUEM ESTIVER COM A MÃO AMARELA!!!


DEU NO JORNAL:
Sem alívio no ‘apagás’
"Descoberta de reserva gigante de petróleo e gás, anunciada com entusiasmo no Rio pela Petrobras, só deverá servir para abastecimento do mercado consumidor a partir de 2012 Luciene Braga e Ricardo Villa VerdeRio - Em meio à angústia dos consumidores de gás natural que sofreram com a redução do fornecimento do combustível na semana passada, a Petrobrás anunciou ontem a descoberta histórica de uma reserva gigantesca de petróleo e gás, que equivale às mais importantes do mundo. Testes realizados pela estatal apontam que a reserva teria, apenas na área de Tupi, volume de 5 bilhões a 8 bilhões de barris de óleo e gás natural. Para a estatal, não há criseA exemplo do presidente Lula — que tratou como “probleminha” a necessidade de desviar o gás natural fornecido à CEG para cumprir contratos com usinas térmicas do sistema elétrico nacional — o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, negou uma “crise do gás” e descartou a relação entre o anúncio da descoberta da reserva gigante com a preocupação nacional com o abastecimento: “Esse assunto nada tem a ver com o gás. É o resultado do avanço nos testes sobre reservatórios”. A diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Graça Foster, insistiu: “Não existe uma crise do gás. A Petrobrás não aceita essa palavra. O que aconteceu foi uma demanda relacionada à hidraulicidade do nosso sistema elétrico, que necessitou de volumes adicionais. Foi uma operação de rotina”. Graça confirmou a necessidade de aumento de 15% a 25% no preço do gás para as distribuidoras, em até 24 meses".

A cúpula da Petrobrás reuniu-se com a do Ministério de Minas e Energia, tendo o presidente participado do evento, já que alegou, em determinada ocasião, que o problema de gases “não passa de um probleminha”.Dessa reunião, acredita-se que algumas medidas foram tomadas e arriscamos um palpite, uma alternativa viável e de bom senso. Mesmo alegando que não há crise, conseguiram, só para assegurar, produzir um estoque, excluindo da atividade os que sofreram há pouco tempo de problemas de diverticulite ou algum outro de menor impacto intestinal, de gás natural. O publicitário Adud, criador de muitas campanhas para o atual governo federal, foi, mais uma vez, convidado para arquitetar propagandas de incentivo, visando aumentar o depósito dessa, segundo o Michaelis, substância fluida em estado de agregação aeriforme. Com toda a força de sua criatividade, esse profissional lançou, numa das entradas de Brasília, o seguinte outdoor, sem antes deixar de dar a sua contribuição:
CONSEGUIRAM
ESSE ESTOQUE










domingo, 4 de novembro de 2007

A ESCOLA COMO APARELHO IDEOLÓGICO DO ESTADO DENTRO DA MICROFÍSICA DO PODER, REPRESENTANDO A VERDADEIRA POBREZA POLÍTICA.





Francisco Carlos de Mattos*
A escola não fala a língua do povo. Ela consegue tagarelar aquilo que a minoria quer ver repetido e reforçado pela maioria esmagadora que compõe a população brasileira.
Os currículos são constituídos de falas e falácias extremamente incompreensíveis para aquele(a)s que vêem nesta instituição a mola propulsora para vencer na vida (sic!). Tanto é, que não existe o interesse que deveria haver nas questões relativas à formação humana. No entendimento de um número expressivo de professores, “isto é balela e discurso daquele(a)s que não têm nada o que fazer na escola e ficam inventando modismos. O importante mesmo são os conteúdos escolares, os conhecimentos científicos que os alunos têm que dominar, para se dar bem na vida. O domínio cognitivo é o que continua valendo. Sem essa de avaliação sócio-afetiva ! ”.
Esta concepção de aluno vem dominando o cenário educacional desde o período jesuítico, passando, no século XVII, mais explicitamente, a focar a educação da nobreza. Foi neste período histórico que surgiu o criador de uma concepção, que perdura até os dias de hoje: o filósofo francês René Descartes (1596-1650). “Cogito, ergo sum” passou a ser o foco das atenções e o carro-chefe de Descartes. Segundo este mote (penso, logo existo), o sujeito individual, formado numa competência para ponderar e refletir, passa a ser o ponto de convergência do domínio cognitivo, do conhecimento (Hall, 2006).
Século após século, até o atual, este é o paradigma do bom aluno. Este autor (Op. Cit.), em seus estudos sobre ´A identidade cultural na pós-modernidade` denuncia que “esta concepção do sujeito racional, pensante e consciente, situado no centro do conhecimento, tem sido conhecida como o ´sujeito cartesiano`(p. 27). Nessa reflexão, a escola continua inserida num contexto caracterizado por Althusser (1998) como Aparelho Ideológico do Estado. É ela uma das maiores, senão a maior, construtora de marionetes, que vêem o estado como o grande pai ou que se integram aos elementos que aceitam as ações dos governos como verdadeiras paternalizações. As ´beneficências`, as ´doações`, todos os tipos de vales (gás, leite etc.). Para o alimento do espírito, o Pai Todo Poderoso, que nos nutre com as suas bênçãos. Para a matéria, o pai, também poderoso, que nos abastece com esses programinhas sem-vergonhas, que se transformam em verdadeiras rédeas eleitoreiras.
Essas minúcias politiqueiras, vale a pena lembrar que Maquiavel ensinava o Príncipe a entreter o povo com muita festa e jogos, foi denominada por Foucault ( 1982) como Microfísica do Poder. Hoje, diante de tantas falcatruas que levam ao enriquecimento ilícito de uma minoria através das inúmeras imoralidades que fazem com a saúde pública, não se pode aceitar a implantação de um currículo escolar que reforce os anseios das classes dominantes desse país, prescindindo desses fatos que maculam o espírito do bom cidadão, do exemplar ser humano enquanto elementos de análise e discussão, como conteúdo escolar. Pedro Demo (2006), nesta linha de raciocínio, norteia que a pobreza política é bem mais profunda e arrasadora que a pobreza sócio-econômica, até porque esta é conseqüência daquela. Ao pobre não lhe é dado o direito (já que ele não tem forças para conquistar) de saber porque é pobre. Entendemos a partir dessa reflexão de Demo, que, antes do aluno, é necessário que o professor se enriqueça politicamente, para, então, incentivar aquele para a sua conquista nesse campo.
Diante de tantas mazelas, de tão ignóbil ato de falsificação do leite e seus derivados, das bebidas alcoólicas (do whisky a mais popular), ficaria difícil para o homem do povo, se consciência política tivesse de que essas ações o prejudicam profundamente, querer afogar as suas mágoas com um porre homérico, não cabem falas e falácias da escola, que buscam dar continuidade à formação de sujeitos cartesianos num currículo não constituído de matrizes, mas, ainda e por muito tempo, de grades curriculares, aprisionando a criatividade do povo brasileiro e desrespeitando o seu cotidiano, a sua história.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALTHUSSER, L. P. Aparelhos Ideológicos de Estado. 7ª ed. Rio de Janeiro: Graal, 1998.
DEMO, Pedro. Pobreza Política - A pobreza mais intensa da pobreza brasileira. Autores Associados, Campinas, 2006.
FOUCAULT. Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1982.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomás Tadeu da Silva e Guaracira Lopes Louro. – 11. ed. – Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
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* Mestre em Educação pela UERJ, professor do ensino médio e Orientador Educacional da Rede Pública Municipal de Cabo Frio, professor de Didática Geral e PPE I da Faculdade da Região dos Lagos (de 1996 a 2006) e de Educação e Trabalho, Educação e Movimentos Sociais, Gestão da Unidade Escolar I e II e TCC no curso de Pedagogia, da Faculdade de Educação Silva Serpa, no Município de São Pedro da Aldeia. E-mail:
okkyxmattos@gmail.com . End. Eletrônicos: www.franciscomattos.wordpress.com e www.franciscomattos.blogspot.com
Cabo Frio, 4 de novembro de 2007

domingo, 28 de outubro de 2007

MUNDO ANIMAL OU ZOOPOLÍTICA




Há algumas dezenas de anos Sartre desenhou a figura do dito homem pós-moderno ao vaticinar, que “o homem nada mais é senão aquilo que a si mesmo se faz”.
Hoje percebemos que o homem se faz de acordo com as suas conveniências mais político-econômicas que político-ideológicas, transformando-se em sanguessugas do poder.
Alguém há de perguntar: _ O que você está querendo dizer com conveniências político-ideológicas? A que momento histórico da humanidade você faz referência, quando diz isso? Essa expressão pertence a esse mundo?
Confesso não ter respostas convincentes para tais questões. Posso, isso sim, encontrar fundamentações que alicercem mais essas conjecturas. Hall (2006: 13)¹reforça essa idéia, quando afirma que

(…)a identidade é definida historicamente, e não biologicamente. O sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um ´eu` coerente. Dentro de nós há identidades contraditórias, empurrando em diferentes direções, de tal modo que nossas identificações estão sendo continuamente deslocadas (…). A identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia.

O nosso cotidiano político também nos mostrou isso recentemente, quando o TSE deu um basta na “farra do boi“, acabando com a algazarra dos macacos pulando de galho em galho. Sorrateiros como cobras, e metidos a malandro(a)s como águias, cada qual se ajeitou no partido que melhor norteie bons dividendos em futuras eleições ou nos atuais mandatos, que venha a garantir as articulações necessárias para se manter no poder. Infelizmente, a paradisíaca Angra dos Reis, recanto de investimentos de alguns poucos e honestos (ainda existem no mundo do capital?) e de muitos, muitíssimos sonegadores, e de um sem-número de canalhas que, ao financiarem a ascensão de outros tantos aos cargos públicos de gestão de cidades, estados e até do país, encostam-se às sombras do poder e vão, avidamente, sugando todas as tetas das vacas magras, é um péssimo exemplo desse momento que está se eternizando.
Alguém inserido nessa alcatéia - vale reforçar as idéias de Tomaz Hobbes, quando, assim como Sartre, projetando-se ao futuro, disse ´Homo Homini Lupus`(o homem é o lobo do homem)-, rindo como uma hiena, afirmará com toda a certeza: todo homem tem o seu preço!
¹. HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da Silva, Guaracira Lopes Louro.- Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

O APAGADOR DE INCÊNDIO

Até pouco tempo atrás, o Orientador Educacional era visto e entendido como esse digno e necessário profissional em sua ação maior. Muito interessante que ao falarmos em seu nome, quase que automaticamente o ligamos a um fenômeno que os californianos, hoje, querem esquecer e extinguir, extinguir e esquecer. Entretanto, o cotidiano escolar, principalmente já chegando ao encerramento do ano letivo, com todos os envolvidos no processo desenvolvendo os seus estresses, apresentando sucessivos ataques de petit, os "focos" aparecem como num passe de mágica. Daí, surge esse profissional da educação fazendo o mesmo que aqueles profissionais extremamente exigidos lá na Califórnia.
A foto que ilustra esse espaço, pode, hipoteticamente, ser considerada como o Orientador em ação, nesses momentos estressantes.
Que Deus nos livre de ter que contar com os serviços de ambos. Não pelo valor de suas ações, mas por aquilo que provoca as suas ações.

NA FOGUEIRA DA VAIDADE

Espero que fique bem claro, que não estou aqui fazendo piada (muito sem graça, por sinal!) da desgraça dos outros, mesmo que sejam norte-americanos. Posso, como faço agora, extrapolar a minha ojeriza pela ojeriza com que extrapolam e tratam o resto do mundo (afirmo com profunda insegurança o lugar comum de que, nesse caso também, infelizmente, toda regra tem a sua exceção), o meu anti-americanismo, mas não posso negar o meu humanismo, a minha enraizada cultura judaico-cristã.
Seria muito interessante que esse incêndio na Califórnia, se transformasse no símbolo, no paradigma da incineração das atrocidades com que, ao longo da história, em nome da ganância em manter a hegemonia do poder econômico nas mãos e, dessa forma, manter a dominação política e, conseqüentemente, espargir - não, espargir não! É um vocábulo usado em situações espiritualizadas, abençoadas!-, melhor dizer borrifar, espalhar os seus domínios pelos quatro cantos do planeta.
Que esse incêndio, já chegando ao estágio de tragédia, que está causando um profundo baque nas estruturas de Hollywood, levando às cinzas mansões dos Frankensteins produzidos nos laboratórios cinematográficos, queime e destrua somente a vaidade, a petulância, a arrogância do povo.

ABUNDÂNCIA DE REVOLTA OU REVOLTA DAS BUNDAS?

"Seria cômico, se não fosse trágico!" Alguns podem exclamar: _Mas que bundas feias... um tanto quanto arriadas, caídas!!!
Mas, infelizmente, esse é o retrato de um país que não respeita aqueles que transformaram o suor do rosto em sangue e que com as suas contribuições - permitam-me aqui uma redundância, que, espero, tenha um efeito reflexivo- ao longo de um longo tempo de trabalho e de, também, contribuição para o engrandecimento da nação, num momento da vida que mais precisam de tranquilidade para poderem usufruir de algumas poucas coisas que a vida pode ainda lhes oferecer, onde todas as coisas caem por força da idade, do cansaço, o que lhes resta é esta falta de sensibilidade por parte daqueles que, quando se aposentam, o fazem com polpudos salários. Pode-se hipotetizar, que essas cifras são o resultado do somatório do que falta aos que realmente trabalharam.
E já que, na linguagem popular, receberam uma verdadeira "calça arriada" de uma das estatais que, através da massificação de uma imagem de empresa ética, tem a simpatia da maioria da população, esses trabalhadores literalmente ARRIARAM AS CALÇAS enquanto protesto em pleno centro do RJ.
Bundas feias, arriadas, caídas? Não importa. Pelo menos a dignidade e o pouco de forças que lhes restam, continuam de pé e bem firme.
Diante do absurdo - não das bundas à mostra- com que tratam quem chega à terceira idade neste país, há que se deixar uma pergunta martelando o nosso marasmo, o nosso comodismo: quem riu das bundas caídas, que ainda não esteja em vias de se aposentar, se não for da classe política, e que esteja inserido em qualquer campo da atividade humana como funcionário público, de autarquia ou outra diferente do ramo privado, já começou a praticar aqueles exercícios para enrijecimento dos glúteos?

sábado, 6 de outubro de 2007

"ABEZERRAÇÃO" da natureza

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Quando sentávamos ao redor de mamãe (que Deus a tenha!), para escutarmos as suas histórias - não se espantem, pois em tempos não muito remotos se fazia isso!-, ela começava a contar algumas bizarrices da natureza e sempre terminava assim:
_ Isso mostra que estamos nos fins dos tempos!
Imaginem o que ela diria, ao ver as "abezerrações" abaixo:

domingo, 9 de setembro de 2007

MIRÓ(VILHOSO) II


Mais algumas obras "MIRÓ(CULOSAS), invocando a essência de Pessoa, "vale(m) à pena se a alma não é pequena".









MIRÓ(VILHOSO)


Ao contribuir com a minha filha numa pesquisa sobre dois grandes pintores contemporâneos (Picasso e Miró), (re)descobri neste último, traços e cores que me satisfazem. Sem desmerecer Picasso, Miró é extraordinário.



terça-feira, 4 de setembro de 2007

Escola não motiva e perde alunos



Francisco Carlos de Mattos*

"O Inep/MEC elaborou um estudo para entender as principais razões que levaram 1,7 milhão de jovens entre 15 e 17 anos (16% do total) a não estudar em 2005. Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, a pesquisa revela que: 1) três em cada quatro desses jovens (75%) não completaram o Ensino Fundamental, mas a maioria (68%) chegou até a 5ª série;
2) ter tido filho diminui a probabilidade de a jovem estudar. Entre as que freqüentam a escola, apenas 1,6% é mãe, percentual que sobe para 28,8% entre as que estão fora; 3) mais do que a falta de vagas, de transporte ou mesmo a necessidade de trabalhar, é a falta de vontade de estudar que os empurra para fora do sistema de ensino. Essa razão foi identificada em 40,4% dos casos entre os que não estão em sala de aula. A necessidade de trabalhar vem depois (17,1%).
A primeira observação indica que o problema da evasão está concentrado entre a 5ª e a 8ª série do Ensino Fundamental. A segunda mostra que a fecundidade precoce tem impacto significativo na desistência de muitas meninas. Já a terceira sugere que, se a escola não for atraente e fizer algum sentido ao jovem, ele vai abandoná-la mesmo que suas chances no mercado de trabalho sejam nulas ou pouco convidativas. Prova disso é que, desse 1,7 milhão de jovens fora da escola, 43,4%, ou 740 mil, não trabalham nem sequer estão procurando emprego. Mesmo quando conseguem achar um trabalho (caso de 44% dos que não estudam mais), no entanto, trata-se de emprego precário, já que apenas 8% do total de jovens fora da escola trabalhando tem Carteira assinada".
(Fonte: Folha de S. Paulo) – 10/01/2006
http://www.educarede.org.br/educa/html/index_revista_prov.cfm?conteudo=rapidinhas

Entreabrindo a porta
Se já não bastassem as inúmeras pesquisas que há muito vem denunciando esse estado deplorável, principalmente, do ensino público no Brasil, o INEP/MEC aí está para contribuir com a grita, que é geral.
Hoje, diferentemente de algumas épocas não tão distantes (pelo menos até onde a memória possa alcançar), a constatação a que se chegou, explicitada no terceiro item, é de que os nossos jovens não têm perspectivas de futuro. Tal problema, em tempos idos, já existia, mas com um ímpeto mais abrandado, respeitando-se, evidentemente, a época histórica e o que “rolava” naqueles tempos.
Alguns problemas foram apontados, resta detectar as causas para não se cair no lugar comum da discussão sobre a violência urbana, sem definir o que a provoca, com as defesas acaloradas da pena de morte. Esse problema tem como fundamento maior o mesmo que a política das ervas daninhas: corta-se o capim na superfície, deixa-se a raiz e elas, novamente, se proliferam.
Uma das muitas causas está na formação acadêmica do professor e, especificamente, na parte que tange à sua preparação didático-pedagógica. Não que se queira defender a tese de que a Didática e/ou a Pedagogia tenham respostas para tudo no que se refere à educação. Já não se cai mais nessa falácia, nessa inocência, nesse canto da sereia. Elas podem até definir alguns caminhos, mas a formação do educador, do verdadeiro educador, vai além disso. Fávero (1981, p. 13), nesta perspectiva, sustenta que

Não é simplesmente freqüentando um Curso de Pedagogia, fazendo Mestrado ou Doutorado em Educação, que alguém se torna educador. É, sobretudo, num comprometer-se profundo, como construtor, organizador e pensador permanente do trabalho educativo, que o educador se educa.

Pode-se até arriscar o palpite de que os cursos citados por Fávero têm menos problemas do que os outros que visam a preparação para o magistério. Nos vários cursos de Licenciaturas, e aqui pode-se citar como exemplos, com bases em experiência de dez anos de docência da disciplina Didática, os cursos de Biologia, Letras, Matemática e Geografia, a questão é mais complicada, pois, analisando as matrizes curriculares dos mesmos, constata-se uma desproporcionalidade gritante de disciplinas específicas aos cursos em comparação às da formação pedagógica. Seria, hoje, respeitando-se o sistema de semestralidade, uma relação tipo 4 por 2, ou seja, quatro períodos para disciplinas específicas e, somente, dois para as pedagógicas. Aí, de alguma maneira, reside a complicação que dificulta o comprometimento político com as causas educativas, incluindo a carência de respaldos filosófico e humano.
Há a necessidade de que na formação acadêmica do educador seja inserida a reflexão constante de quem sejam os elementos que compõem o processo educativo e quais sejam as suas funções e as suas importâncias nesse contexto. Demo (2004: 74), apregoa que

o aluno não vem para a escola escutar aula. Vem para reconstruir conhecimento e arquitetar sua cidadania integral (corporal, emocional e espiritual). Sala de aula é, antes de tudo, ambiente de estudo e pesquisa, pela razão simples de que pesquisa é o ambiente de aprendizagem.

Dificilmente encontra-se alguma instituição de educação superior, que provoque o desejo da pesquisa, que a veja e a tenha como elemento curricular, assim como também professores que sejam incentivadores dessa prática. Só pode ensinar a importância da pesquisa na reconstrução do conhecimento, aquele que aprendeu a aprender sobre a influência dela nesse campo, tal qual só pode ensinar sobre cidadania, quem cidadão for.

Encostando a porta
Ações urgentes precisam ser implementadas a fim de que as soluções possam aparecer. Essas não podem nem devem nascer nos gabinetes refrigerados dos poderes (político-educativo e/ou econômico). Há que se privilegiar o bom senso democrático no sentido de se consultar as bases ou provocá-las para o debate. Que, a título de sugestão, cada unidade escolar reflita sobre a quantas anda a formação acadêmica dos professores por eles próprios. Já afirmaram, que uma grande caminhada começa com o primeiro passo. Só não se pode cair no mesmo ritmo dos alunos, na mesma falta de vontade. Se o professor precisa levar o aluno a aprender a aprender, antes, deveria, ele,enquanto exemplo, tê-lo feito. Fez? Faz?

Referências Bibliográficas
DEMO, Pedro. Ser professor é cuidar que o aluno aprenda. – Porto Alegre: Mediação, 2004.
FÁVERO, M. L. Sobre a formação do educador - a formação do educador:desafios e perspectivas. Rio de Janeiro: PUC/RJ, 1981. (Série Estudos).
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* Mestre em Educação pela UERJ, professor do ensino médio e Orientador Educacional da Rede Pública Municipal de Cabo Frio, professor de Didática Geral e PPE I da Faculdade da Região dos Lagos (de 1996 a 2006) e de Educação e Trabalho, Educação e Movimentos Sociais e Avaliação Institucional, Gestão da Unidade Escolar I e II e TCC no curso de Pedagogia, da Faculdade de Educação Silva Serpa, no Município de São Pedro da Aldeia. E-mail: okkyxmattos@gmail.com, chikomattos@ibest.com.br.

domingo, 2 de setembro de 2007

DEU BRANCO!


Você já passou pela saia-justa de esquecer parte do conteúdo quando estava explicando a seus alunos? No artigo desta semana, Reinaldo Passadori – professor de Comunicação Verbal há mais de vinte anos – dá algumas dica para você enfrentar esse problema.
“Em maior ou menor grau, todos nós sentimos um calafrio, ou um certo tremor, gagueira, ou taquicardia ou o famoso ‘branco’ na hora de falar em público. Isso pode ocorrer em uma aula, diante dos alunos, diante de uma grande platéia ou mesmo em uma reunião da qual estamos participando ou até dirigindo.
Mesmo que o assunto esteja pronto, que o tenhamos estudado e ensaiado, estamos sujeitos a essas manifestações, e por que não dizer, surpresas que nosso corpo nos oferece. Esses comportamentos inadequados são sinalizações de que estamos demasiadamente preocupados ou com medo de algo. Pode ser da crítica dos colegas, medo de errar, de não nos sairmos bem, de esquecermos, de que tenhamos uma dor de barriga semelhante àquela que tivemos há 10 anos.
Mais importante ainda do que saber que estes problemas acontecem, é estarmos preparados para enfrenta-los.
Abaixo, algumas sugestões, sem a pretensão de esgotar o assunto, nem mesmo apresentar uma ‘receita de bolo’ para que essas dificuldades sejam eliminadas. Creio, no entanto, que esses procedimentos poderão ajudar as pessoas que tem, em excesso, esses limitadores, notadamente no início das apresentações:
*Faça um bom curso de Comunicação Verbal. Aliás, não só professores, mas creio que todos os profissionais deveriam fazer esse tipo de formação complementar, não só para terem mais segurança e naturalidade, mas para usarem melhor sua voz, seu corpo e estruturarem melhor suas idéias.
* Reforce sua auto-estima. Ninguém irá valorizar aquela pessoa que não só não se valoriza, mas pior, se deprecia e desvaloriza suas qualidades.
* Prepare o assunto, organize as idéias, saiba como começar, desenvolver e terminar sua apresentação. Tenha exemplos para dar o colorido e gerar contrastes, além de facilitar a compreensão do ouvinte.
* Conheça o público-alvo, saiba tudo o que puder sobre as pessoas, desde sua formação, quantidade de pessoas, simpatia ou antipatia pelo assunto ou por você, pontos positivos e negativos, tais como: faixa etária, formação, classe social etc.
* Aprenda a controlar sua ansiedade. Há exercícios de relaxamento, desde os respiratórios, exercícios físicos, leitura de textos com mensagens otimistas, ouvir uma música suave, meditação ou outra estratégia que para você funcione como redutor do nervosismo, principalmente o inicial.
* Administre sua preocupação, em especial o excesso dela. Saiba que a preocupação por si só, nada resolve.
* Ensaie, treine, esteja bem preparado, administre o tempo de sua exposição, esteja preparado para eventuais perguntas que poderão fazer, tenha as respostas planejadas. Se preparar recursos audiovisuais, verifique se estão corretos, se os equipamentos estão funcionando, antecipe-se a possíveis falhas, tenha um ‘plano B’ sempre pronto para ser acionado se ocorrer alguma catástrofe.
* Por último, como essas situações são inevitáveis para quem almeja ser valorizado e reconhecido pela sua capacidade, cabe um provérbio muito popular: ‘Fé em Deus e Pé na Tábua.’”

Disponível em: JORNAL VIRTUAL PROFISSÃO MESTRE - Profissão Mestre – Ano 5 Nº 33 – 29/08/07. Acesso e captura: 2-set-07. Cadastre-se pelo site: www.profissaomestre.com.br

terça-feira, 21 de agosto de 2007

AULINHA DO TEMPO DA TIA

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Francisco Carlos de Mattos
A viabilização de um programa de construção de projetos de pesquisa, a sua operacionalização, as análise e interpretação de dados coletados e a sua conseqüente transformação em artigos científicos, é de suma importância para um olhar mais científico da prática profissional, levando-se em conta a inexpressiva formação cultural do povo brasileiro no que tange à compreensão do processo pedagógico e a risível formação acadêmica, que não incentiva a leitura, a escrita, a construção de projetos e a pesquisa científica.
Há muito tempo acreditávamos que boa aula era aquela em que o professor ficava o tempo todo praticando a verborragia, numa explícita demonstração da sua sapiência, do seu academicismo, o que era a pedra de toque de uma das tendências pedagógicas, que cisma em persistir em nossas memórias com o incentivo direto da prática, ainda, de muitos professores.
Hoje, a pesquisa reconquistou o seu lugar especial no processo, enfatizando o papel do discente enquanto sujeito ativo e não mais como o ser passivo, que, embevecido com o saber do mestre, transforma-se em receptáculo de conhecimento de terceiros, em cópia da cópia da cópia, como, apropriadamente, gosta de falar Pedro Demo.
Um programa como esse se justifica exatamente num momento em que todos os olhares acadêmicos se voltam para a pesquisa como pano de fundo para a produção de conhecimentos significativos para um melhor entendimento do cotidiano e a construção de fazeres diferentes, enquanto táticas de sobrevivência. Certeau (1994) nos encaminha para esse entendimento, quando vaticina que
o homem ordinário escapa silenciosamente a essa conformação. Ele inventa o cotidiano, graças às artes de fazer, astúcias sutis, táticas de resistência pelas quais ele altera os objetos e os códigos, se reapropria do espaço e do uso a seu jeito. Voltas e atalhos, maneiras de dar golpes, astúcias de caçadores, mobilidades, histórias e jogos de palavras, mil práticas inventivas provam, a quem tem olhos para ver, que a multidão sem qualidades não é obediente e passiva, mas abre o próprio caminho no uso dos produtos impostos, numa ampla liberdade em que cada um procura viver do melhor modo possível a ordem social e a violência das coisas (4ª capa).
Com Certeau entendemos que a vida é constituída de momentos construtivos e de astúcias silenciosas e sutis em busca de uma maneira diferente de inventar um cotidiano mais rico. Esta é a contribuição que um programa como esse pode dar, para a construção de novos pensamentos e ações para a efetiva produção de conhecimentos científicos.
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quarta-feira, 1 de agosto de 2007

POR UMA EDUCAÇÃO QUE LIBERTE OU UMA LIBERDADE QUE EDUQUE

Francisco Carlos de Mattos*
I. Considerações Iniciais
A educação vem ao longo dos tempos procurando se adaptar às aceleradas variações do contexto político-sócio-econômico e cultural, muitas vezes pondo-se enquanto causa e outras tantas como conseqüência, mesmo sendo uma das diversas peças de uma engrenagem maior, mas com uma carga de responsabilidade extremosa de ser a provocadora científica da primeira e a culpada, principalmente quando os erros surgem, da segunda.
Ponderar sobre a violência na escola fica muito vago, correndo-se o risco de se analisar o cotidiano escolar por ele mesmo, sem nenhuma consonância com o contexto mais amplo, como se a escola fosse uma instituição autônoma, livre, alienígena em relação ao todo.
Não se tem a pretensão de transformar esta reflexão em profundas análises das causas neurofisiológicas, psicológicas, neuropsiquiátricas ou algum outro campo médico sobre o psiquismo dos pré-adolescentes e adolescentes acastelados nas escolas de ensinos fundamental e médio do nosso sistema educacional.
A área da educação escolar está inserida num campo do conhecimento humano, que mais congrega "experts", profundos conhecedores do que ocorre no cotidiano das escolas, dos que nelas atuam, independentemente da formação acadêmica ou profissional, aos que pouco ou nenhum tempo de contato efetivo tiveram por lá. Nesse enfoque, ele passa a ser terra de ninguém e de todos ao mesmo tempo. A verdadeira "casa da mãe Joana". Não se compara com outros campos de ação profissional, onde a ciência é o grande norte para o seu que-fazer e para o seu entendimento. Em muitos desses campos não se vislumbra possibilidade alguma de um leigo se intrometer ou dar ´pitacos`no que um profissional estiver desenvolvendo. O que não ocorre no magistério.
Pretende-se ocupar um espaço de reflexão pedagógica sobre a questão da violência que invade a escola, sem os achismos que caracterizam os inúmeros fazeres na área, buscando referências teóricas que norteiem um pensar longe do senso comum. É importante que se deixe bem claro, que essa violência é multifacetada, plural e ambienta-se com uma extrema facilidade, fazendo-se entender como única em todos os lugares em que surge.
O encaminhamento para as pontuações sobre o tema desta exposição, terá como enfoque inicial alguns princípios básicos e elementares, algumas noções gerais sobre a violência nas concepções biológica, social e psicológica, para, com bases em alguns desses conhecimentos, direcionar a análise para o aspecto pedagógico, que é a base dessa reflexão.
Em seguida, a formação do professor será brevemente ponderada com o intuito de se construir um olhar sobre a deficiência

sexta-feira, 6 de julho de 2007

APRENDER A ENSINAR NÃO É MAIS IMPORTANTE DO QUE APRENDER A APRENDER *

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Francisco Carlos de Mattos**

Já quase adentrando o vigésimo sétimo ano de magistério, conseguimos nos envolver com uma das melhores – senão a melhor!- aulas em todas as modalidades de ensino de que trabalhamos (Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação Superior).
Recebemos a visita de alguns alunos dos 1º e 2º segmentos de EJA de uma escola pública do Município de São Pedro da Aldeia e de um professor do curso, que ocupa o cargo de Diretor Adjunto. Tal encontro é o resultado de um trabalho de pesquisa proposto à turma de 6º período, do Curso de Pedagogia, da Faculdade de Educação Silva Serpa, também no município acima citado.
Em suas falas, os alunos foram extremamente felizes na caracterização da escola e do que estavam buscando nela. Nos discursos não se distinguia o sentimento individualista de posse com pronomes tais como “meu”, “minha”, e sim expressões que conotam a conquista coletiva – e também a derrota, caso haja -, norteando-nos para a compreensão da essência do bom e velho socialismo, que “preconiza a propriedade coletiva dos meios de produção e a organização de uma sociedade sem classes”¹.
Os monstros desengonçados de uma escolarização desconjuntada, os delatores de uma prática pedagógica descompromissada com a aprendizagem enquanto fenômeno salutar do processo educativo, um trabalho didático direcionado, o que nos parece incompreensível para a prática da derrota, a repetência e conseqüente evasão escolares são enfrentadas em grupo pelos próprios alunos. Estes, antes mesmo de saberem soletrar ou escrever o vocábulo, já praticavam, vivenciavam a solidariedade, que, inconcebivelmente, demonstra ser inversamente proporcional a “academicização” de uma parcela significativa de indivíduos.
Pedir desculpas aos presentes (muitos professores e diretores do 1º segmento do Ensino Fundamental e o professor da turma) pelas prováveis palavras erradas que, por ventura, viessem a falar, já sustenta a sábia postura do “estamos na escola para aprender, para fazer dela uma ponte para a nossa construção do conhecimento” ou do “ainda não sabemos”.
Nas falas carregadas de emoção, de um puro sentimento de orgulho por estarem fazendo o que sempre gostariam, mas que não tiveram a oportunidade na época devida, na descoberta do quão importante são os atos de ler e escrever enquanto ferramentas para “novas invenções do cotidiano” (CERTEAU, 2003)², com instrumentos para a construção de “astúcias, artimanhas” (op. Cit.) para o enfrentamento de um mundo pós-moderno, descobrimos o nosso próprio analfabetismo profissional, mergulhados na pseudo-sapiência das letras, e afogados em ciências que não nos ajudam a saber calçar as sandálias da humildade.
Foi preciso que mestres do mundo, doutores da vida sofrida adentrassem o espaço acadêmico, invadissem-nos (antes de invadir o espaço físico) as almas e as nossas consciências, para que pudéssemos, hilariantemente, descer dos saltos ou, de forma mais caricatural, nos estatelar no chão, nos desentocar do falso castelo de marfim.
Neste encontro, aprendemos que aprender a ensinar não é mais importante do que aprender a aprender.
______________________________________
* Texto-relatório produzido em 12/11/2004 pós debate com alunos de EJA, convidados de um grupo de estudo e pesquisa do 6º período do Curso de Pedagogia das Faculdades Silva Serpa.
** Mestre em Educação pela UERJ, professor e Orientador Educacional da Rede Municipal de Ensino de Cabo Frio e docente de Educação e Trabalho, Educação e Movimentos Sociais, Trabalho de Conclusão de Curso e Gestão Educacional do Curso de Pedagogia da Faculdade de Educação Silva Serpa.
¹.Dicionário Michaelis – CD Uol, suporte ao Dicionários Michaelis Ltda.
². CERTEAU, Michel de. A Invenção do cotidiano: 1. Artes de fazer. [tradução de Ephraim Ferreira Alves].- Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

domingo, 10 de junho de 2007

CO(M)TEXTO


Francisco Carlos de Mattos¹

“Silêncio... calar que fala mais que mill falas. Eloqüente discurso repleto de fala, que cala a fala do outro”.²

I.REFLEXÕES INICIAIS
Antes, muito antes, da formação no magistério, já existia o incômodo com questões ligadas ao falar e escrever dos simples mortais que fazem do cotidiano da vida a melhor escola (nos vários sentidos que este possa ter, principalmente no que se refere à facilidade de se dizer não à rotina, de, marotamente, transgredi-la). Fugiram da escola? Queriam entrar, mas tiveram acesso negado? Nem chegaram a pleitear vaga? Para cada questionamento enquadramos um sem-número de “futuros doutores”. Evidente que para os que se encaixam no primeiro, mesmo tendo fugido sem ter entendido porque “Ivo viu a uva” ou “a bola é bela”, virar doutor, sendo, hoje, aprovado no vestibular de qualquer “McUniversidade”, é a maior moleza. Ué, professor... ou será melhor, eu, hein professor! Maneira mais esquisita de iniciar reflexões sobre a comunicação escrita e falada.
Na verdade, esses primeiros passos têm muito a ver com o que se pretende defender.
Críticas foram construídas há tempos, pelo tamanho dos títulos-tema dos textos, que se produzia alegando os censores serem os mesmos complicados pela extensão de linhas. No “jiboiar” da cama, olhos fixos no teto, apreciando figuras geométricas das mais doidivanas possíveis, dançando ao “som” do reflexo das luzes, surgem bolinhas entrelaçadas (sombra da corrente da luminária), sugestionando reticências... Ué, pensa-se... porque não criar um título-tema monossilábico, para agradar a gregos e troianos ? É isso, foge-se do estigma de escritor-dos-títulos-extremamente-compridos, mostrando que se é capaz de escrever sobre “EU” ou “UÉ”, por exemplo, e depois retoma-se o caminho. Por outro lado, o que o .... esquece... o que o título tem a ver com o tema ? Nem sempre eles são fiéis um ao outro. Não se está, com isso, querendo afirmar que um monossilábico título seja infiel ao tema discorrido.
Acredita-se que qualquer motivo é mais do que justo - é perfeito!- para se produzir um texto. Escrever por e para qualquer coisa, deveria ser praxe em nossas vidas. Falar de, para... anotar o que se fala, acreditando que o que se escreve vai ser de suma importância para quem vier a ler. Nosso eu não é mudo... é tudo...vai fundo nas pretensões Ninguém fala ou escreve por você ou pelo menos não deveria. Na medida em que você exerce o direito de expressão, demonstra ser e ter referência, identidade. Cidadania? Pode ser, mas ainda não se pretende ocupar esse espaço. Você quer? Sugere-se deixar um pouquinho mais lá para frente. Afinal, ter-se-á um bom tempo para se ficar juntos. Bem, confessa-se que é o que se pretende. Será que se conseguirá ?
É importante deixar claro, que a conquista de interlocutores acontece quando a democracia prevalece. Fala-se com e para. Isso denota o mínimo de duas pessoas conversando, trocando idéias, checando ideologias, emitindo mensagens um para o outro. Para transformá-lo(a) em leitor(a) nesse momento (e por esse momento), o texto é produzido de tal maneira, que você, ao lê-lo, tem vontade de responder ou de falar alguma coisa. É a interatividade querendo funcionar.
Mas, falar e escrever só para quem teve acesso aos bancos escolares das grandes e melhores universidades do país ou caso Deus tenha ajudado, quiçá as do mundo. Falar e escrever do jeito que a gente sabe só nos fundos dos quintais, onde a prosa rola solta e o que se escreve, vale; quer dizer, “vale o que está escrito!” Se existe alguém ali com formação acadêmica e, principalmente, em Língua Portuguesa, o título foi, tranqüilamente, esquecido em casa ou deixado no portão do recinto, tal qual se fazia no velho oeste um pouco mais civilizado, quando se deixavam as armas na entrada dos “Saloons”. Com certeza neste espaço não se “corta” a fala do sujeito e nem olhares e atitudes têm a desfaçatez e a frieza de um canivete como na história de Elias Canetti³. Sujeito aqui é tomado no seu sentido filosófico, que desenvolve sua intelecção com outros sujeitos-interlocutores-corporativistas, que se entendem e se sentem seres reais, demonstram qualidades e praticam ações, têm identidades e se orgulham delas. São libertos dos academicismos, falam as suas falas, criam e se divertem com as sua criações e com as suas criatividades.
De acadêmico nas relações sociais, destacam-se posturas, respeito ao outro pelo outro, ou seja, por ser o outro, não por ter isso ou aquilo, essa ou aquela formação. Respeito e admiração se conquistam nas relações sociais do cotidiano, no tête-à-tête, no acreditar no que se fala e no que se ouve, no rir de doer a barriga com as bobagens ditas, na cumplicidade do se perder a hora. Este é o corporativismo que vale a pena ser integrado.
Escola boa essa que respeita a individualidade do sujeito e a sua fala. Bom aluno esse, que se vendo respeitado naquilo que é e no que fala, entende a fala da escola e o seu papel numa sociedade de papéis.
Não é a escola que faz o aluno e sim o contrário. Quantas vezes não se ouviu essa frase em nossa trajetória escolar? E o engraçado é que sempre se achava “conversa fiada”, caretice de professor que já esqueceu o quanto é bom matar aula para namorar ou “bater uma pelada” na praia, com a galera feminina dando a maior força na torcida. _Cara, muito melhor que aturar o chato do Francisco ! _ Também se entende desse jeito. Imaginem um velho-professor-velho falando pelos cotovelos e, muitas das vezes nos fazendo escrever o que fala (o que dita, pois a “sua fala” não é exatamente dele e sim do autor do livro texto, que não foi adotado pela turma, justamente para não cortar esse barato metodológico do docente. Se lhe tirar o livro, tira-se a sua língua, as forças, a criatividade).

¹. Mestre em Educação pela UERJ, professor do Ensino Médio e Orientador Educacional da Rede Pública Municipal de Cabo Frio, professor de Gestão da Unidade Escolar I e II e de TCC da Faculdade de Educação Silva Serpa, no Município de São Pedro da Aldeia e, atualmente, ocupando o cargo de Chefe do Serviço de Orientação Educacional de 5ª a 8ª séries, de Ensino Médio e EJA na Secretaria Municipal de Educação de Cabo Frio.
². Poema produzido especialmente para ilustrar a “abertura” da Dissertação de Mestrado do autor.

³.Elias CANETTI. A língua absolvida. São Paulo : Companhia das Letras, 1989.
OBS1.:Este texto pretende convocar/provocar outros autores. Uma frase que seja, fará de você co-autor do mesmo. Tente dar continuidade.... Aguardo sua contribuição!!!

OBS2:O texto está em construção e ainda não passou por uma revisão ortográfica e gramatical. O leitor que perceber alguma falha nessa área, favor mandar mensagem comunicando tal fato.
Disponível em: http://xykkoboss.blig.ig.com.br/. Acesso e captura em 10 jun. 07.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Sopa de letrinhas ou PQP, prenderam o PQD sem CPI.



Francisco Carlos de Mattos

Flashes... muitos flashes. Policiais se acotovelavam para aparecer nas fotos. E antes que algum desavisado pense que o sujeito aparece de sunga, para que os "heróis" não corressem o risco do mesmo estar armado, é bom avisar, que, na verdade, eles queriam mostrar que o anti-herói, com todo aquele físico, resultado de muita malhação numa moderna academia em sua mansão, não foi páreo para eles. CORTA!
Brasília. CPI. Muitas. Várias. Trabalho e mais trabalho para os nossos parlamentares... coitados! Face tal labuta, que assusta, filhos da luta, é necessário, por todo esse esforço, um aumento de salário. Desta forma, senadores e deputados passam de R$ 12.700, para R$ 24.600, sendo que a decisão foi tomada na reunião entre os presidentes da CÂmara, Aldo Rebelo e do Senado, Renan Calheiros com os integrantes da Mesa das duas Casas e líderes partidários. Hoje, entende-se o porquê do aumento ao se analisar os profundos problemas familiares do "pobre" e nobre Calheiros. Mas, voltemos às CPI. Às tantas, às demasiadas, às abundantes CPI. Do Apagão Aéreo, da Navalha, dos Sanguessugas, dos Bingos, etc, etc, e etc. CORTA... mais uma vez!
Favela Vila Cruzeiro, Penha, subúrbio do Rio. ´Tá lá um corpo estendido no chão`.. um não... dois... três... criança, jovem, adulto. A mortandade se faz democrática, não é preconceituosa: negros, brancos, mulheres, homens, cristãos, ateus, policiais, ladrões. Políticos de todos os âmbitos mancomunados com o poder econômico, prestando, evidentemente, contas aos que bancaram suas campanhas. Os lobbys constituídos por cidadãos comuns, já estão perdendo as forças, saindo de moda e se dissolvendo, para dar lugar aos formados por aqueles eleitos pela selvageria capitalista, para representá-la, com toda a força, nas Casas Legislativas.Vereadores e prefeitos agregados aos interesses imobiliários, deputados estaduais e governadores parceiros das grandes empreiteiras de obras e deputados federais, senadores e presidente de braços dados a esses dois campos de atividade e mais a todos os outros. Atores presos por porte e uso de drogas, atrizes porras-loucas que se atiram do 8º andar de um prédio, cantores com traumatismo craniano de tanto dar porrada na parede, com as narinas branquíssimas e alegando ser tinta da parede, jogadores de futebol bêbados, ´póbedos`, atropelando e matando transeuntes desavisados, que não tinham nada que estar no lugar errado e na hora errada e por aí vai. Nossos heróis continuam morrendo de overdose... triste do povo que precisa de heróis...mesmo assim, não existem modelos do bem nem acima nem abaixo da Linha do Equador. E nessa sociedade desfigurada, há quem chore e se apiede por que PQP, digo, PQD foi preso. Não é à toa que se vê nos muros e fachadas as exaltações às organizações do mal; mas, há que se perguntar: mal prá quem, cara pálida? Na linguagem popular diz-se, que quando o dinheiro não entra pela porta, a mulher sai pela janela. Pode-se deduzir, que quando não há políticas públicas, em especial, educação, saúde, habitação para a população, quando o Estado não assume o que é seu dever, um outro, paralelo, o faz. E , sem apologias ao banditismo, que não é o propósito desse texto, PQP, prenderam somente um PQD e esqueceram os vários outros espalhados nas Câmaras, Assembléias, prefeituras, ´Palácios`de Governo de Estado, Congresso Nacional... CORTA!!!

domingo, 3 de junho de 2007

(RE)REPASSANDO...

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Recebi mais uma das várias pérolas enviadas pela companheira Leila Paula. Como, segundo o e-mail recebido, ela recebeu de outra pessoa e solicitou para repassar, estou atendendo o pedido. Há Professores e há Educadores...
Numa escola pública estava ocorrendo uma situação inusitada: Uma turma de meninas de 12 anos que usavam batom todos os dias removiam o excesso beijando o espelho do banheiro. O diretor andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom... Um dia o diretor juntou o bando de meninas e o zelador no banheiro, explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam. Depois de uma hora falando, pediu ao zelador para demonstrar a dificuldade do trabalho.
O zelador imediatamente pegou um pano, molhou no vaso sanitário e passou no espelho.
Nunca mais apareceram marcas no espelho!
Há Professores e há Educadores...
(-: Um abraço repleto de muita paz .... :-)
"Senhor, não nos deixes entregues ao suposto bem que se transforma em mal e não nos permitas menosprezar o suposto mal que nos conduz ao bem"
Emmanuel

segunda-feira, 28 de maio de 2007

METODOLOGIA CIENTÍFICA





Num país onde pesquisa sempre foi vista como uma atividade para alguns poucos iluminados encastelados nas academias ou nos laboratórios, você tentar iniciar, já muito tardiamente, adolescentes de 1º ano do ensino médio nos "mistérios" da Metodologia Científica, só começando com uma brincadeira. Assim, após as pontuações conceituais e as inúmeras utilidades da disciplina, organizei a turma em grupos e provoquei a criatividade dos alunos, solicitando-lhes que tentassem produzir alguns acrósticos com o nome da mesma. Um grupo fez o seguinte trabalho:

E ste
S erá
T eu
U nico
D esejo:
A lcançar
N ovos
T riunfos
E m sua vida.

M atéria
E m que ajuda
T odos a
O rganizar as
D isciplinas,
O nde
L er e
O bservar
G eram
I déias que
A judam a

C omunidade se
I mpor
E m
N ovas
T arefas
I nfluenciando as
F amílias a
I maginar
C omo o
A manhã será!

Trabalho feito em 28/04/2005
Autores: Aline, Allana, Camila Sales, Tamirez e Wesley.

sexta-feira, 25 de maio de 2007



É DE DOMÍNIO PÚBLICO, MAS POUCOS USAM!!!!

CULTURA

Precisamos impedir um desastre.
Imaginem um lugar onde se pode ler, gratuitamente, as obras de Machado de Assis, ou A Divina Comédia, ou ter acesso às melhores historinhas infantis de todos os tempos.
Um lugar que lhe mostrasse as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci.
Onde você pudesse escutar músicas em MP3 de alta qualidade.
Pois esse lugar existe! O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site:
http://www.dominiopublico.gov.br/.Só de literatura portuguesa são 732 obras! Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno.
Vamos tentar reverter, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.

CICLONE ? ! ? !












Jato d'água sobre o mar a centenas de metros da costa de Cingapura; o fenômeno ocorreu devido à diferença de pressão entre a superfície do mar e a atmosfera
Disponível em: http://noticias.uol.com.br/ultnot/album/070525_album.jhtm?abrefoto=3. Acesso e captura em 25-5-07

segunda-feira, 21 de maio de 2007

JAQUELINE, A DOCE ESTRIPADORA!


Francisco Carlos de Mattos*

Ela não nos enganou. Logo no início da oficina sobre sexualidade e diversidade, último encontro dos quatro que compunham o curso sobre "Escola sem homofobia: construindo para a diversidade", alguma propriedade nos chamou a atenção para aquela moça, mais balzaquiana que gatinha no tocante à idade cronológica, mas, com certeza, uma gatíssima balzaquiana no que se refere às belezas da matéria e do espírito. A primeira transparência no telão projetada pelo datashow nos dava conta do tema e de quem estava ali na frente e o que fazia: SEXUALIDADE E DIVERSIDADE - Jaqueline Rocha Côrtes - Consultora de projetos em HIV/Aids - Assessora técnica - COOPEX.
_Alguma coisa de diferente naquela moça loira, que parece ser a palestrante. - Cochichou-me Jamelzinha.
_Será o Benedito, Jamel? Você não nega a sua origem mineira, hein menina! Mas, não é que percebi a mesma coisa!
No início da atividade ela nos pareceu preocupada em pontuar as regras do jogo, para uma convivência pacífica para aquelas 4 horas que iríamos passar juntos.
Propôs uma primeira dinâmica de apresentações e a iniciou, expondo, mais ou menos, o que continha na transparência, que ainda permanecia no telão.
Aos poucos foi demonstrando extrema segurança no que dizia, levando-nos à desconstrução de alguns (pre)conceitos concernentes ao grande tema tabu na sociedade brasileira. E assim, íamos entendendo um pouco mais sobre sexo gonadal, social, erótico/afetivo, psicológico, genital e genético e percebendo que as pessoas não têm opção sexual, até porque ninguém optaria naturalmente por uma expressão da sexualidade tão discriminada, mas sim orientação/inclinação sexual. Dessa forma, construíamos conceitos política e socialmente corretos como heterossexual, homossexual e bissexual.
A cada fala com sentido, máscaras sem sentidos iam desmoronando e, já nos acostumando com aquela presença simpática, inteligente e, agora, mais descontraída, as considerações finais estavam sendo tecidas com a avaliação do encontro por cada participante.
No final, ela toma a palavra para se "reapresentar" e com todo o orgulho do mundo, diz ser uma transexual, já com resignação de sexo, identidade feminina reconhecida, muito bem casada, feliz e convivendo com a Aids há 4 anos.
Tremenda guerreira em todos os sentidos, que se encaixa nas palavras que me vieram à memória, construídas enquanto respostas para as que ela apresentou como provocação em determinado momento dessa tarde. Para SEXO, escrevi excelência e vida; para a expressão SER DIFERENTE, arrisquei a frase sou o que sou não o que os outros querem que eu seja e coragem; e, finalmente, para AIDS, expressei impacto, consciência e vida.
Rasgou-nos as entranhas do preconceito e se constituiu em JAQUELINE, A DOCE ESTRIPADORA.
É, ela, com certeza, não nos enganou... e obrigado por isso, Jaqueline!
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* Mestre em Educação pela UERJ, professor do Ensino Médio e Orientador Educacional da Rede Pública Municipal de Cabo Frio, professor de Gestão da Unidade Escolar I e II e de TCC da Faculdade de Educação Silva Serpa, no Município de São Pedro da Aldeia e, atualmente, ocupando o cargo de Chefe do Serviço de Orientação Educacional de 5ª a 8ª séries, de Ensino Médio e EJA na Secretaria Municipal de Educação de Cabo Frio.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

PALAVRAS DO DEMO



III. MEU CASO COM EDUCAÇÃO
Pedro DEMO
Muitos me conhecem como educador e – assim parece – cada vez mais estou metido na esfera educacional. Na verdade, nunca pretendi substituir o pedagogo, porque faço apenas sociologia da educação e a valorizo como instrumentação fundamental da cidadania (Demo, 2004c). Visualizo educação no contexto da política social e por conta da questão da pobreza política. Considero que, para combater a pobreza, o pobre precisa saber confrontar-se na condição de sujeito. Carece rebelar-se e construir alternativa histórica. Entendo que educação, se bem feita, pode contribuir decisivamente para o saber pensar e intervir, arquitetando a capacidade do pobre de “ler” a realidade de modo crítico e criativo. Educação, conhecimento, aprendizagem são categorias essenciais da construção da autonomia humana (Freire, 1997). São dinâmicas autopoiéticas, reconstrutivas e políticas, de dentro para fora, uma das forjas mais substanciais do sujeito capaz de história própria. Imaginava Freire que educar é influenciar o aluno de tal modo que o aluno não se deixe influenciar (Demo, 2002a). Educação trabalha a habilidade finíssima de constituir sujeitos capazes de saber pensar, aproveitando, entre outras coisas, a potencialidade disruptiva do conhecimento, o que permitiria galgar os três horizontes da cidadania: i) formar consciência crítica, sabendo “ler” a realidade; ii) organizar-se politicamente, em nome da cidadania coletiva; iii) contrapropor alternativa histórica na condição de sujeito autônomo, não de massa de manobra. Autonomia nunca é plena. Somos seres intrinsecamente dependentes. Mas pode ser alargada de maneira surpreendente, se soubermos aprender e conhecer. Meu interesse por educação se resume a isso e é por isso que tantas vezes analisei e critiquei a pedagogia.
De um lado, considero pedagogia o curso mais importante da universidade hoje. É literalmente a “alma mater”, ou seja, o curso fundante, porque trata do mandato central da universidade: conhecer e aprender. De outro, não posso deixar de questionar a precariedade da grande parte dos cursos de pedagogia e que também estão na base da precariedade da atuação de muitos profissionais da educação. De modo geral, é mal formado nosso especialista em formação. Esta crítica, porém, é apenas ponto de partida para contrapropor outros modos de fazer pedagogia, outros modos de oferecer recapacitação aos professores em exercício, outras formas de resgatar a dignidade de um profissional que tem tudo a ver com a dignidade da sociedade. Enquanto grande parte dos professores básicos estiver enredada na pobreza material e política, por vezes, lancinante, não temos como imaginar que a população se rebele, até porque, antes, é preciso que o professor se rebele. Para não dizer que só falei de flores, fiz já muitas experiências alternativas no país, sendo talvez a mais marcante a fundação de um instituto superior de educação em Belém, ligado ao estado do Pará e que entrou em funcionamento em 1990. Existe até hoje, engolido na Universidade do Estado (foi criado como escola autônoma). Com apoio da Secretária de Educação do estado (Therezinha Gueiros), uma filósofa inspiradíssima e comprometida, foi possível montar um grupo que trabalhou durante um ano e colocou de pé a instituição: uma faculdade de educação sem aula! Os alunos deveriam, sob orientação e avaliação dos professores, pesquisar e elaborar. Funcionou bem um ano. Depois, com a mudança de governo, ocorreram dois problemas conjugados: um grupo de professores, sob alegação de que o curso seria “neoliberal”, cuidou de tomar o poder e se coligou como o novo governo (Jader Barbalho); o novo governo tratou, por choque ideológico frontal, de desfazer o que o anterior fizera, inclusive o instituto. Resultado: quando o grupo de professores aparentemente de esquerda se deu por conta, percebeu que havia caído na trama neoliberal – a sede foi perdida em favor da medicina estadual e o curso foi inserido na área de educação da universidade estadual, sem autonomia. Com o tempo, a metodologia de aprendizagem foi se esvaindo, substancialmente porque os professores, no fundo, só sabem dar aula. Incrível: um grupo de professores medíocres, que nunca produziu nada de relevante, resgatou a didática tradicional e suplantou a noção de aprendizagem reconstrutiva política, porque esta seria “neoliberal”, enquanto a prática tradicional seria o signo da esquerda avançada! Perdeu-se uma experiência ímpar, ou pelo menos se deslustrou profundamente a experiência, por conta de alegações de uma esquerda vazia, improdutiva e ignorante.
CONFISSÕES DO DEMO - Não sou neoliberal - Pedro Demo (UnB, 2004)
Disponível em:http://pedrodemo.sites.uol.com.br/textos/confissoes.html . Acesso e capura em 17.maio.2007
Obs.: Destaques (grifos) no texto feitos por mim.
Referências bibliográficas (feitas pelo autor ao longo do texto)
DEMO, P. 2002a. Politicidade – Razão humana. Papirus, Campinas.
DEMO, P. 2004c. Sociologia da Educação – Sociedade e suas oportunidades. Plano, Brasília.
FREIRE, P. 1997. Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários à prática educativa. Paz e Terra, Rio de Janeiro.

Compenetrado para 2010

Compenetrado para 2010
Visto pela webCam

EU, COMPENETRADO!

EU, COMPENETRADO!

Eu_pela_camara_do_celular

Eu_pela_camara_do_celular

EUNAPAZ

EUNAPAZ
SORRISO É O ESPELHO DA ALMA.

EU

DE PÉ E À ORDEM... SEMPRE!

"PROF, FRANCISCO MATTOS OE DO ALFREDO CASTRO E MÁRCIA FRANCESCONI

ENCONTRO DE MAÇONS

ENCONTRO DE MAÇONS

PANÓPTICO VIRTUAL

Boca da Barra - CF

Boca da Barra - CF

Serra do Rio Rastro (http://www.panoramio.com/photo/752018)

Serra do Rio Rastro (http://www.panoramio.com/photo/752018)
O VERDE É LINDO!
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