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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

DA SALA DA CASA DO ALUNO À SALA DE AULA DO PROFESSOR: PARECENÇAS E ANTAGONISMOS

Francisco Carlos de Mattos*
CENA 1: SALA DA CASA DO ALUNO
  "Era uma casa muito engraçada não tinha teto não tinha nada ninguém podia entrar nela não porque na casa não tinha chão ninguém podia dormir na rede porque na casa não tinha parede ... " (A CASA, Vinícius de Moraes)
  A nossa formação acadêmica passa ao largo das chamadas Ciências da Natureza (Físicas e Biológicas) e, principalmente, da Matemática; entretanto, é interessante refletir aqui com você, e mais algumas pessoas que se interessarem pelo tema, a influência que ela tem sobre essa triste realidade ou, como queiram os mais radicais, essa baita sacanagem, que fazem com o povo brasileiro e, por extensão, com nossas crianças. Não é necessário que sejamos um Arquimedes, um Isaac Newton para entendermos que 1+1= 2. O salário mínimo do pai, somado ao da mãe, certamente deve dar para alguma coisa, mas não para uma alimentação saudável, que consiga acabar com a anemia profunda, que, silenciosamente, não lhe permite condições de igualdade com os colegas que tem melhores condições de vida (aqueles em maior proporção que esses. Você já teve a curiosidade de fazer esse levantamento estatístico nas suas salas de aula?). Tem-se uma profunda convicção de que os nossos alunos são, cartesianamente, produto dessa matemática (social), reflexos de uma insensatez humana fora dos parâmetros de qualquer racionalidade cristã - é mister lembrar que estamos em um dos países com o maior número de adeptos ao catolicismo e, hoje, com incalculável contingente de evangélicos -, e resultados de uma desagregação familiar, que é o final do fio do novelo, que começamos a desenrolar nessas mal traçadas linhas. 
Já que fomos à ponta final do novelo, procuremos, então, a outra. 
 Aqui nesta cena como na outra é possível perceber os lastimáveis fatos como conseqüências da gritante falta de Políticas Públicas, que promovam o desenvolvimento de emprego e renda e dêem condições de empregabilidade aos trabalhadores. E quando se fala em renda, é claro que não se está pensando em salário Mínimo, até porque, em cima desse não existe a menor possibilidade da existência daquele. Acordando às 05:00h (muitas vezes mais cedo), com o pai saindo para a esquerda e a mãe para direita, muitos desses meninos e meninas, hoje com 11, 12 e 13 anos, portanto os mais velhos de uma prole de 5, 6 ou 7, representam a mãe ou o pai que estão trabalhando e que só chegam lá para às 18, 19h. Independente desses aspectos arraigadamente negativos da nossa clientela (não no sentido comercial, capitalista), há que se levar em conta, que eles passam por uma fase da vida, por uma faixa etária, extremamente complicada; afinal, são ADOLESCENTES. Efervescência hormonal à flor da pele - muitas vezes parece que é a única "cobertura" óssea -, naturalmente barulhentos, irrequietos e "donos do mundo", são, nesta hora, tão protagonistas, que denotam não terem problema algum em suas vidas. Pelo menos é assim o que muitos professores pensam. Sim, esse ideário de pertencimento, essa representação mental de um espaço bem diferente daquele em que vivem, essa estratégia onírica, é usada como um entorpecente, para fugir de uma realidade dolorosa. 
CENA 2: SALA DE AULA DO PROFESSOR 
 "Educação é aquilo que fica depois que você esquece o que a escola ensinou". (Albert Einstein)
  Pegue uma moeda. Na primeira parte desse texto - a 'cara' – tentou-se desalinhar parte do novelo, usando a "sala da casa" do aluno como contexto. Cabe, sabe-se, um aprofundamento em muitas questões instigadas; mas, neste momento, não se tem tal perspectiva, não é pretensão caminhar por tal seara. 
Que se vire, então, a moeda: a coroa. 
O contexto é a sua sala de aula, professor. Insistir-se-á na Matemática enquanto paradigma, base fundamental para a tese defendida aqui. Ressalta-se, que ela é tão cruel quanto a que foi desenvolvida para analisar a performance daquele(a) adolescente antes de se transformar em seu(sua) aluno(a). Reconhece-se a sua preocupação, o seu sofrimento, a sua angústia ao ter que, final de ano letivo, pegar pacotes e mais pacotes de provas e lembrando-se de algumas espoletinhas, de certos 'erezinhos', que precisam de décimos ou, por outro lado (aí a angústia aumenta), mais do que tem que tirar numa única prova, para lograr aprovação. Então, nobre companheiro(a), já matematizando, se você é docente das disciplinas com as maiores cargas horárias da Matriz Curricular (LP, Matemática, Ciências), tem, no mínimo 4 tempos de aulas semanais, que, multiplicados por, aproximadamente, 4 turmas, completará uma certa carga horária exigida por determinados sistemas de ensino. Hipoteticamente (muito próximo da realidade) cada turma tem 40 alunos, que perfaz o total de 160 pirralhinho(a)s com 11 anos de idade (não estamos 'estatisticalizando' a distorção idade/série. Seria desgraça demais para um despretensioso texto!)), em fervilhantes e barulhentas turmas, tal qual uma revoada de pardais num fim de tarde, de 6º ano do Ensino Fundamental. Como você também, lá pelas 06:00h, sai para a esquerda e a sua mulher pela direita (com alguém tendo que deixar o Jr. ou a princesinha com a mãe ou sogra. Par ou ímpar antes de sair de casa ou semana minha, semana sua?), até porque o 'mar não está pra peixe' e é preciso pagar a prestação da casa própria ou o aluguel, o consórcio do carro, o supermercado no final do mês, a tv a cabo, a internet, o nextel (dela e o seu), a babá do baby, a faxineira, água, luz, telefone fixo, e, depois de tudo isso, o Imposto de Renda, etc., etc., etc., é necessário fazer dupla ou tripla jornada de trabalho, face a desvalorização profissional, que sempre foi uma constante na história do nosso país. Nesse caso, teremos, se tripla jornada, 480 preocupações, 40 dúzias de angústias. O enfoque dado neste parágrafo, comparando com o da primeira parte deste texto, mostra, ou pelo menos tenta, o brutal abismo existente entre as realidades da família do professor e a do aluno.
  CENA 3: FECHAM-SE AS CORTINAS. 
 “Fico feliz por suas palavras, mas confesso a você que estou desanimando, meu amigo. Você me conhece e sabe o quanto tento resgatar essas almas perdidas, mas parece uma luta quase solitária e em vão; pois, diversas foram as aulas que não dei só para conversar com a turma e tentar alertá-los, mas parece que de tudo o que falamos nada ou quase nada foi absorvido e o final é triste, chego a pensar: será que o erro está com a minha didática?” (Prof. X). 
 “Trabalhamos o ano inteiro, tentando mostrar aos nossos alunos a importância do aprender, mas infelizmente nem todos estão a fim de nos ouvir e no final é que eles começam a correr atrás, mas não tem condição. O tempo acabou. Quem sabe um dia eles despertam . Bom fim de semana” (Profª. Y). 
 Para falar de aluno que não quer nada, que é descompromissado, que não gosta de estudar (conta-se nos dedos de uma das mãos, talvez, de quem goste!), preguiçoso, bagunceiro, irrequieto, tagarela e tantos outros adjetivos, enfileiramos temas e mais temas caracterizados como falácias pedagógicas, conversas fiadas de pedagogos, que não estão dentro de uma sala de aula no dia a dia, para se defrontar com a realidade nua e crua, norteou-se essa breve reflexão para argumentos causais e não conseqüentes. Tentou-se focar ‘o que leva a ser’ em vez de ‘o que é’. Vários professores, em plena travessia da ponte ou, em função de sua fragilidade, da pinguela, não tem tempo de analisar o primeiro aspecto, evidenciando mais o segundo. Esse seria o primeiro passo do planejamento de ensino, recomendado pelos mais renomados pesquisadores desta área, entendido como conhecimento da realidade. 
É causa e não conseqüência a crise estrutural de emprego e renda no Brasil, que leva às desigualdades sociais profundas. Esse maquiavelismo sócio-econômico é a origem e não o efeito, de tantos meninos e meninas que fracassam na escola. Repetências seguidas levam, fatalmente, à evasão. Fracasso na escola é causa de insucesso na vida, que é, por sua vez, a razão de tantas mazelas sociais. E você, na rua, ao longe, avista um grupo de meninos em atitude meio suspeita. Ao aproximar-se, ouve a seguinte pergunta: _ Lembra de mim, tio? Eu sou Tonico e fui seu aluno há uns três anos. Vai na fé, tio! Tonico coloca a caneta na cintura e convoca a galerinha de mais três meninos de sua idade a bater em retirada. 
 Fecham-se as cortinas!
  •Mestre em Educação pela UERJ e Orientador Educacional da Rede Pública Municipal de Cabo Frio. Licença Creative Commons
Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 2.5 Brasil.

O bordão do Chacrinha e as Novas Tecnologias ou "façam amor", literalmente, enquanto houver tempo


"Quem não se comunica, se trumbica." O bordão do velho, bom e saudoso Chacrinha, do inigualável e insubstituível Abelardo Barbosa, está mais atual do que nunca. Hoje as novas tecnologias tornaram-se imprescindíveis na vida do homem moderno. Sair  e perceber que deixou o celular em casa, tem a mesma conotação, transmite a mesma ideia de que  estamos sem uma peça de roupa importante para o nosso corpo.
As NTs vieram para exatamente facilitar as comunicações; mas, não existe nenhum manual, nenhuma exigência, nenhuma norma técnico-social que nos prive dos contatos presenciais, pessoais, tête-a-tète, cara a cara, de pele. Contato virtual que nos facilite, que nos possibilite, que nos disponibilize para o outro, para o abraço, o beijo, a fraternidade.
Ao pensarmos na ampliação do contato virtual, na construção de mais uma ferramenta que horizontalize o espaço para a possibilidade de mais  contatos, não queremos 'apologizar' , profetizar que estamos rejeitando o contato sócio-presencial. Muito ao contrário, acreditamos na força do contato entre os homens, na fraternidade, na conversa ao cair da tarde, no papo animado no bar, na partilha do visual do por do sol sentado na mureta da praia. Acreditamos no nascimento do amor, ali, tipo olho no olho e no fazer amor sem as interferências e necessidades da parafernália da nanotecnologia, das ciências como um todo. Não me imagino, confesso, com aqueles eletrodos na cabeça e na da minha companheira, experimentando um maravilhoso orgasmo ou - para felicidade geral da nação - múltiplos orgasmos. Quero liberdade para dentro da cabeça, mas com o maravilhoso e inigualável virar de olhinhos e do se esparramar na cama (ou seja lá onde for) para se revigorar com aquele sorriso de canto de boca, "monalisamente" feliz, "giocondamente" satisfeito em nossas necessidades primatas.
Colocadas essas reflexões, é imprescindível que nos policiemos para que o mouse e o teclado não se transformem em próteses, em extensões de nossos braços, do nosso corpo. É mister que nos preocupemos em evitar que, quando estivermos conversando, na mesa do almoço ou jantar em casa, num restaurante ou simplesmente passeando com a(o) namorada(o), a(o) noiva(o) ou a(o) esposa(o), não o façamos, dividindo a atenção entre ela(e) e o celular. Procurem fazer uma pequena investigação nas ruas. Observem mais as pessoas no dia a dia e se certifiquem se o que estamos alertando aqui, não seja o retrato da realidade. Quem sabe se assim, você não entre no esquema de, também, analisar as suas atitudes em relação a esse fato. Portanto, estamos cientes de que o homem criou a máquina, mas não queremos acreditar que a máquina venha a RECRIAR o homem. Pelo andar da carruagem (hoje está mais para trem bala!), é o que, infelizmente, está acontecendo.
Boa reflexão! Boas leituras!
Francisco Carlos De Mattos
Licença Creative Commons
Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 2.5 Brasil.
Ano novo, vida nova, desejos novos, energia renovada. 
Estou resgatando um dos meus vários blogs e fazendo-lhe algumas reformulações, principalmente no que se refere à questão das datas em que foram postados. Estou assim reestruturando as datas, renovando as mesmas. Algumas outras deixarei com a data original.
Aguardo a visita de vocês!😊

LEITORES E-LEITORES



São dois blogs para tentar facilitar a vida dos meus poucos e seletos leitores. Se cada um desses amigos, tendo gostado do que leu, convidar um outro que não esteja incluso nesse espaço virtual, dar-me-á a oportunidade de ter mais um amigo e, evidentemente, mais um leitor. O nosso mundo, mais do que em outras épocas, está precisando de leitores, muitos leitores nem que seja para bula de remédios, rótulo ou invólucro de papel higiênico e etc. (bem mais do que ELEITORES. Acreditamos que essa premissa seja profunda e inversamente proporcional e/ou excludente. Ou seja, quanto mais LEITOR menos ELEITOR, até porque, quem lê mais se instrui mais, absorve mais cultura, fica mais inteligente e quanto mais inteligente, percebe que não precisa do político tanto quanto este precisa dele!).
_ Mas, cá entre nós Francisco, tem tanto texto ruim circulando por aí, que é preferível ler os rótulos das coisas que temos dentro de nossos banheiros, você não concorda?Concordo. Mas, como saber se aquele texto que deixei de ler era bom ou não?Dê uma chance, leia-o e depois, então, faça um comentário, uma sugestão ou uma crítica e não leia mais esses chatos que ficam entupindo as suas páginas virtuais, os seus e-mails de lixo ou, ao contrário, seja um fiel seguidor e leitor assíduo desse chato! É o que mais desejo! 
 http://pedagogiadosprojetos.blogspot.com/2012/03/leitor-e-eleitor.html
http://franciscomattos.blogspot.com/
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Educação Superior: 500 anos a.C. Sócrates fazia melhor que nós!

Por Francisco C. de Mattos “Viver, e não ter a vergonha de ser feliz...” (Gonzaguinha)
A educação brasileira passa por um grave problema de identidade, assim como toda a sociedade brasileira em que pese todo o seu contexto estrutural. Se aquela é reflexo dessa - temos a certeza disso! -, longe está a perspectiva de podermos vislumbrar saídas alternativas, que nos apontem para a essência da filosofia da Inconfidência Mineira, que, nos idos do século XVIII, já denunciava sobre a “Libertas Quæ Sera Tamem”. Na verdade, o mundo está em crise e as crises estão em crise. Hoje tentam compactar tudo: dos aparelhos eletro-eletrônicos aos problemas conjunturais. Há algum tempo a crise mal começava e já era identificada e analisada em toda a sua estrutura, permitindo assim a possibilidade de abafar o seu crescimento ou a sua multiplicação. Era menos complicado, porque específico. Agora trabalha-se com a generalização: crise das teorias, dos modelos e dos paradigmas num só bloco para se condensar em crise da estrutura social. Uma das poucas áreas que ainda conseguimos ver na “plenitude de sua especificidade”, onde o todo é a soma (matematicamente mal feita) das partes e cujo resultado, extremamente errado, só beneficia, parafraseando Caetano Veloso, os “podres poderes”, é a educação. Quanto mais fragmentado-e-fraco-e-cego-e..., melhor. Com, mais ou menos, vinte e dois anos de magistério (do Ensino Fundamental à Educação Superior), entre os erros e acertos de quem quer e busca crescer profissionalmente, constatei mais os primeiros na prática político-pedagógica de muitos companheiros e companheiras com quem partilhei o espaço das dezenas de instituições por onde passei. Sei que o que é bom e certo para mim, necessariamente, não tem de ser bom e certo para os meus pares. Não desejo nem pretendo afirmar que a homogeneização das práticas pedagógicas em toda a sua complexidade seria a solução para os problemas da educação, até porque, desrespeitar-se-ia a autonomia do sujeito em optar, entre tantas alternativas, por uma que mais se adequasse às suas perspectivas e às suas formações humana e acadêmica. Acredito, alicerçado nessas duas formações, que, quanto mais o homem se aprofunda em pesquisas sobre a biotecnologia, genética, robótica, nanotecnologia etc., mais vai precisar do próprio homem e, mais especificamente, do seu lado humano. Por trás de uma “grande” máquina (ou à sua frente), sempre há e/ou haverá um grande homem. Se a máquina precisa do homem para ser construída, o homem precisa do seu semelhante para sobreviver, construindo-se a cada pensamento, a cada fala, a cada abraço, sorriso, lágrima. O homem educa-se, educando-se no outro. Tudo o que faz sempre tem referência humana. DA LIBERDADE PEDAGÓGICA À PEDAGOGIA DA LIBERDADE 500 anos a.C., Sócrates desenvolvia, numa reflexão pós-partos feitos pela sua genitora, a MAIÊUTICA (parto das idéias), método filosófico em que os seus discípulos “davam luz” aos seus pensamentos, às suas reflexões, ao esforço pessoal, à busca da sabedoria, fazendo-se filósofos no sentido etimologicamente mais simples do termo, que é “amigo da sabedoria”. Nesse método, a tônica do seu fundamento era não “matar” a curiosidade dos discípulos e sempre responder às questões dos mesmos com outras questões, até que eles próprios encontrassem as respostas. É fato comprovado que, se alguém fica alguns minutos olhando fixamente para um certo ponto à sua frente, a tendência é sentir as pálpebras pesadas, é difícil conter o bocejo e... o cochilo é inevitável! Da liberdade pedagógica, no sentido de autonomia, à prática pedagógica dos professores, busca-se a diversidade de ações didáticas e não a sua homogeneização. Cria-se o ambiente de liberdade e, para conquistá-la, é necessário que o indivíduo se tenha educado para isso. Borghi (1990: 39) em muito contribui com essa linha de raciocínio, quando afirma que “não pode haver formação que não seja autoformação (...). Educar significa essencialmente educar-se. Pode-se ter também uma ajuda, uma sugestão, porém, esta sugestão torna-se educativa, na medida em que ativa forças latentes ou já em ação no indivíduo”. Reitero, que liberdade pedagógica é necessária; entretanto, não pode ser qualquer liberdade nem qualquer pedagogia. Antes de qualquer coisa, é mister realçar que a prática do bom senso é uma das mais brilhantes pedagogias que pode existir. É, realmente, preciso muito cuidado para que não se adote qualquer porcaria em nome da licensiodade e, violentamente, empurrar goela abaixo dos nossos alunos. Somos libertários ou simpatizantes do movimento, e não podemos ser confundidos como bobos, no sentido de mantermos uma relação paternalista, afagando a cabeça de quem insiste no erro. Se pretendemos construir a Pedagogia da Liberdade, respeitemos, e não fazemos diferente nessas poucas linhas, a liberdade pedagógica dos nossos professores, desde que ela esteja respaldada no bom senso. Não acredito que todo o professor esteja preparado para tal feito, até porque lhe faltam algumas condições técnicas na sua formação acadêmica. É necessário que este profissional da educação, como condição básica, saiba como acontece a aprendizagem, como o indivíduo constrói conhecimento. Isso não fez parte do currículo do curso que freqüentou, ou se fez, foi algum “doido” ou “doida” que displicentemente “caiu de paraquedas” nele só para ilustrá-lo, para “enfeitar o pavão”, para que os técnicos do MEC saiam satisfeitos das suas inspeções rotineiras, acreditando que a instituição valoriza a formação acadêmico-pedagógica dos alunos, inserindo, neste caso, a disciplina Psicologia. Se a minha prática pedagógica ainda é reflexo, ou cópia fiel e perfeita, das dos professores que me deram aulas na longínqua época em que me formei; se, como eles, acredito que o indivíduo aprende, sendo só ouvidos, passivamente, numa relação extremamente unidirecional, muito tenho a aprender com Sócrates. E olha, que, aproximadamente, 2500 anos após uma mortífera dose de cicuta, ainda se nega o diálogo, o questionamento, a dúvida enquanto métodos de aprendizagem, de construção de conhecimentos. É real que não conhecemos uma educação superior... de superior qualidade ... Permitam-me esta pausa, para tomar uma dose... de DRAMIM*. * DRAMIM: Remédio indicado para náuseas e vômitos em geral. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA BORGHI, Lamberto. A educação permanente.. In: ILLICH, Ivan (et al.). Educação e Liberdade.- tradução de Nelson Canabarro.- São Paulo: Editora Imaginário, 1990. Licença Creative Commons
Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 2.5 Brasil.

Do Orientador Educacional emancipado ao que precisa de tutor


“Também no afeto é preciso ser inteligente.” Antonio Gramsci

Francisco Carlos de Mattos¹

É erro gravíssimo comparar ações profissionais com bases em achismos. Não que se queira fazer apologias à legalidade, mas se não houver respaldos científicos e até mesmo nas leis, Regimentos, Estatutos etc., todas as ações podem estar certas ou erradas, dependendo do ângulo de visão. Se fulano olha o trabalho de sicrano, pode fazê-lo buscando distorções tendo o seu enquanto paradigma ou similitudes, que venham a confirmar que o que faz, está no caminho certo. Neste caso norteado pela ciência ou pela lei.

No campo da Orientação Educacional tem-se o hábito, péssimo por sinal, de querer saber se determinado colega fez assim ou assado, para solucionar algum caso. E isso de forma velada o que denota a idéia de fofoca. Caso contrário, seria a maneira mais ética de se mostrar que a aprendizagem é um fenômeno em constante versatilidade. A Orientação se faz no momento em que se orienta. Não se tem uma determinada técnica para um caso tal que surgiu no cotidiano. Técnicas existem, mas casos não já existem para serem solucionados por um conjunto de métodos pensado, criado por algum profissional nos primórdios da nossa profissão. Sexo, drogas, conflitos familiares, reais dificuldades de aprendizagem,, indisciplina entre tantos outros temas, surgem em qualquer escola, de qualquer modalidade de ensino, seja pública ou privada e para cada unidade escolar o tema, independente de qual seja, multifário, apresenta-se de forma diferenciada, exigindo assim, não uma resposta pronta, uma solução pré-determinada, tal qual uma comida pronta e congelada, que é só colocar no microondas e em segundos está pronta para ser saboreada.. Um só tema para vinte pessoas, vinte soluções diferentes. Um só tema para dois Orientadores Educacionais diferentes, dois encaminhamentos distintos. Não tem porque ser sempre igual.

Levando-se em conta o que aqui se traz enquanto reflexão, acredita-se que se cada profissional fizer o que lhe compete, sem se preocupar com o que o outro desenvolve, a educação estaria menos pior do que está. Se é que isso seja possível. O que é visto por alguns colegas como um ‘incêndio debelado’ pelo OE ao interceder onde o professor deveria estar atuando em certos casos, também, pode ser entendido como um colega atuando para dar suporte a outro. Não seria essa ação pertinente, outrossim, à ação do profissional das mediações? Se houve um conflito entre professor e aluno, encaminha-se este para a direção e aquele para a Supervisão?

É necessário ressignificar, a priori, não o papel do OE, mas as ações cotidianas de alguns desses profissionais. Pode ser que tenha alguém que entenda que o profissional ainda aos quinze anos de profissão precise ser tutelado; mas, quem já tem quase ou trinta anos, já, praticamente, às portas da aposentadoria, precisa perceber que há muito já foi alforriado, que já tem a sua emancipação. E seguindo os conselhos de BANDEIRA², diante desta situação, há que se cantar:

Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei.


______________________________

¹. Mestre em Educação pela UERJ, Orientador Educacional da Rede Municipal de Ensino de Cabo Frio lotado nas E. M. Prof. Márcia francesconi Pereira e Alfredo Castro.

². BANDEIRA, Manuel. Vou-me Embora pra Pasárgada. Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90.

ORIENTADOR EDUCACIONAL: ORIENTAR SEM SER DESORIENTADO


Francisco Carlos de Mattos*
O que ele faz?
*Contribui para o desenvolvimento do aluno
*Ajuda a escola a organizar e realizar a proposta pedagógica
*Trabalha em parceria com o professor para compreender o comportamento dos alunos e agir de maneira adequada em relação a eles
*Ouve, dialoga e dá orientações.


Segundo a percepção tradicionalista da educação o aluno deve seguir o paradigma de homem delineado pela sociedade, para o seu devido e querido enquadramento nela. Nesta linha de reflexão, de querença, supõe-se que ela tenha um norteamento dado pelas forças políticas então vigentes no país. Se nos detivermos num dado recorte histórico no Brasil, veremos que a linha de ação para a gestão pública, é, arraigadamente, neoliberal; portanto, o direcionamento para a ação do OE na escola, junto aos alunos e à família, tem que ser por este caminho.
Para esta sociedade, cidadão bom é cidadão consumista, que se enquadra às nuances do mercado, pouco ou nada questionador, que se conforma com as coisas como se fossem profundamente normais. Para esse nível de cidadão, um aluno educado para tal. O que não questiona, o 'quietinho', o conformista, o que aceita tudo calado. O que entende que o que está posto, está posto e não se pode questionar. Fato social ¹ é fato social. Sempre foi assim, afirmam alguns profissionais da educação e entre esses, pasmem, Orientadores Educacionais.
Exemplo mais recente se deu numa reunião mensal desses profissionais no município onde, há 23 anos, exerço esta função, quando da apresentação dos objetivos da Divisão que vai coordenar esses profissionais numa nova administração pública. Num momento tenso em dado momento, esbravejei, a pleno pulmões, que não me permitiria ser posto numa forma, ser enquadrado para cumprir ordens desconexas, ilógicas, que fossem totalmente contra os meus princípios profissionais. Ausentei-me da reunião. Durante a semana, falaram-me que um dos colegas comentara após a minha saída, que a atitude manifestada por mim havia sido um absurdo. Que ordens são ordens e não se pode questionar. Nego-me a tentar compreender esta postura.
Esta ação educativa, orientadora, apresenta uma tendência psicologista e uma perspectiva terapêutica junto aos alunos, no sentido mesmo de "por em prática os meios adequados para aliviar ou curar" ² os alunos que apresentam, na visão da escola, desvios comportamentais, os que não, agora num panorama de panóptico foucautiano, se enquadrem no sistema. Tais desvios de comportamento são, hoje, vistos como multifacetados, pois não se restringem somente às questões sociais ou sócio-educativas no que se referem às atitudes de civilidade, urbanidade diante do outro, no que tange à expectativa da convivência pacífica entre as pessoas.
O que se percebe é que os problemas se multiplicam, se metamorfoseiam com o passar dos tempos. Ontem o Orientador Educacional ocupava-se dos problemas de cunho, exclusivamente, comportamentais, no sentido de orientar os alunos para os reais objetivos de aprender, da construção de conhecimentos. Agora percebe-se que não existe a ideia de 'copo meio cheio' e de que o sentido comportamental também passa por questões relacionadas à orientação sexual e identidade de gêneros, a problemas ligados a conflito de gerações, à ingestão de álcool e outras drogas, à insegurança sobre o futuro, que traz a reboque a revolta com tudo e todos. O adolescente, com raríssimas exceções, vez ou outra, mostra-se um tanto quanto mal humorado. Com todas as razões.
Levando-se em consideração o que se apresenta enquanto argumentos, pode-se deduzir que este volume de problemas é crescente, face as mudanças no contexto maior. Sendo a escola uma instituição que ainda tem como um dos seus objetivos, dentro dessa enxurrada de problemas que se vê envolvida, a educação, no sentido análogo a "desenvolvimento das faculdades físicas, morais e intelectuais do ser humano" ³, não pode ser cerceadora, intransigente, antidemocrática, autoritária, preconceituosa.
Já que temos como proposta de trabalho ORIENTAR alunos a buscar o seu próprio caminho, não podemos ser desorientados.



























*Orientador Educacional da Rede Pública Municipal de Cabo frio. Mestre em Educação pela UERJ.
¹. O fato social,segundo Durkheim, consiste em maneiras de agir, de pensar e de sentir que exercem poder de coerção sobre o indivíduo.
². Dic. Michaelis. Melhoramentos Soft da Língua Portuguesa. Suporte ao Dic. Michaelis. UOL.
³. Idem.
Quer saber mais sobre o Orientador Educacional?
Escola da Vila, Unidade Butantã, Rua Barroso Neto, 91, CEP 05595-010, São Paulo, SP, Tel (0....11)37263578.
BIBLIOGRAFIA
Ação Integrada – Administração, Supervisão e Orientação Educacional, Heloísa Luck, 66 pags. Ed. Vozes.
A Orientação Educacional – Conflito de Paradigmas e Alternativas para a Escola, Miriam Paura S. Zippin Grinspun. 176 pags, Ed. Cortez.



Compenetrado para 2010

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EU, COMPENETRADO!

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Eu_pela_camara_do_celular

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EUNAPAZ

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ENCONTRO DE MAÇONS

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Boca da Barra - CF

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Serra do Rio Rastro (http://www.panoramio.com/photo/752018)

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