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domingo, 18 de novembro de 2007

APRENDER A ENSINAR NÃO É MAIS IMPORTANTE DO QUE APRENDER A APRENDER


Francisco Carlos de Mattos**

Já quase adentrando o vigésimo quinto ano de magistério, conseguimos nos envolver com uma das melhores – senão a melhor!- aulas em todas as modalidades de ensino de que trabalhamos (Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação Superior).
Recebemos a visita de alguns alunos dos 1º e 2º segmentos de EJA de uma escola pública do Município de São Pedro da Aldeia e de um professor do curso, que ocupa o cargo de Diretor Adjunto, enquanto uma das etapas de um trabalho de pesquisa proposto à turma de 6º período, do Curso de Pedagogia, da Faculdade de Educação Silva Serpa, também no município acima citado.
Em suas falas, os alunos foram extremamente felizes na caracterização da escola e do que estavam buscando nela. Nos discursos não se distinguia o sentimento individualista de posse com pronomes tais como “meu”, “minha”, e sim expressões que conotam a conquista coletiva – e também a derrota, caso haja -, norteando-nos para a compreensão da essência do bom e velho socialismo, que “preconiza a propriedade coletiva dos meios de produção e a organização de uma sociedade sem classes” ¹.
Os monstros desengonçados de uma escolarização desconjuntada, os delatores de uma prática pedagógica descompromissada com a aprendizagem enquanto fenômeno salutar do processo educativo, um trabalho didático direcionado, o que nos parece incompreensível para a prática da derrota, as repetência e conseqüente evasão escolares são enfrentadas em grupo pelos próprios alunos, que antes mesmo de saberem soletrar ou escrever o vocábulo, já praticavam, vivenciavam a solidariedade, que, inconcebivelmente, demonstra ser inversamente proporcional a “academicização” de uma parcela significativa de indivíduos.
Pedir desculpas aos presentes (muitos professores e diretores do 1º segmento do Ensino Fundamental e o professor da turma) pelas prováveis palavras erradas que, por ventura, viessem a falar, já sustenta a sábia postura do “estamos na escola para aprender, para fazer dela uma ponte para a nossa construção do conhecimento” ou do “ainda não sabemos”.
Nas falas carregadas de emoção, de um puro sentimento de orgulho por estarem fazendo o que sempre gostariam, mas que não tiveram a oportunidade na época devida, na descoberta do quão importante são os atos de ler e escrever enquanto ferramentas para “novas invenções do cotidiano” CERTEAU, 2003)², com instrumentos para a construção de “astúcias, artimanhas” (op. Cit.) para o enfrentamento de um mundo pós-moderno, descobrimos o nosso próprio analfabetismo profissional, mergulhados na pseudo-sapiência das letras, e afogados em ciências que não nos ajudam a saber calçar as sandálias da humildade.
Foi preciso que mestres do mundo, doutores da vida sofrida adentrassem o espaço acadêmico, invadissem-nos (antes de invadir o espaço físico) as almas e as nossas consciências, para que pudéssemos, hilariantemente, descer dos saltos ou, de forma mais caricatural, nos estatelar no chão, nos desentocar do falso castelo de marfim.
Neste encontro, aprendemos que aprender a ensinar não é mais importante do que aprender a aprender.

* Texto-relatório produzido em 12/11/2004 pós debate com alunos de EJA, convidados de um grupo de estudo e pesquisa do 6º período do Curso de Pedagogia das Faculdades Silva Serpa.
** Mestre em Educação pela UERJ, professor e Orientador Educacional da Rede Municipal de Ensino de Cabo Frio e docente de Didática Geral do Curso de Letras da Ferlagos e de Educação e Trabalho, Educação e Movimentos Sociais e Avaliação Institucional da Faculdade de Educação Silva Serpa.
¹.Dicionário Michaelis – CD Uol, suporte ao Dicionários Michaelis Ltda.
². CERTEAU, Michel de. A Invenção do cotidiano: 1. Artes de fazer. [tradução de Ephraim Ferreira Alves].- Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

sábado, 10 de novembro de 2007

QUEM ESTIVER COM A MÃO AMARELA!!!


DEU NO JORNAL:
Sem alívio no ‘apagás’
"Descoberta de reserva gigante de petróleo e gás, anunciada com entusiasmo no Rio pela Petrobras, só deverá servir para abastecimento do mercado consumidor a partir de 2012 Luciene Braga e Ricardo Villa VerdeRio - Em meio à angústia dos consumidores de gás natural que sofreram com a redução do fornecimento do combustível na semana passada, a Petrobrás anunciou ontem a descoberta histórica de uma reserva gigantesca de petróleo e gás, que equivale às mais importantes do mundo. Testes realizados pela estatal apontam que a reserva teria, apenas na área de Tupi, volume de 5 bilhões a 8 bilhões de barris de óleo e gás natural. Para a estatal, não há criseA exemplo do presidente Lula — que tratou como “probleminha” a necessidade de desviar o gás natural fornecido à CEG para cumprir contratos com usinas térmicas do sistema elétrico nacional — o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, negou uma “crise do gás” e descartou a relação entre o anúncio da descoberta da reserva gigante com a preocupação nacional com o abastecimento: “Esse assunto nada tem a ver com o gás. É o resultado do avanço nos testes sobre reservatórios”. A diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Graça Foster, insistiu: “Não existe uma crise do gás. A Petrobrás não aceita essa palavra. O que aconteceu foi uma demanda relacionada à hidraulicidade do nosso sistema elétrico, que necessitou de volumes adicionais. Foi uma operação de rotina”. Graça confirmou a necessidade de aumento de 15% a 25% no preço do gás para as distribuidoras, em até 24 meses".

A cúpula da Petrobrás reuniu-se com a do Ministério de Minas e Energia, tendo o presidente participado do evento, já que alegou, em determinada ocasião, que o problema de gases “não passa de um probleminha”.Dessa reunião, acredita-se que algumas medidas foram tomadas e arriscamos um palpite, uma alternativa viável e de bom senso. Mesmo alegando que não há crise, conseguiram, só para assegurar, produzir um estoque, excluindo da atividade os que sofreram há pouco tempo de problemas de diverticulite ou algum outro de menor impacto intestinal, de gás natural. O publicitário Adud, criador de muitas campanhas para o atual governo federal, foi, mais uma vez, convidado para arquitetar propagandas de incentivo, visando aumentar o depósito dessa, segundo o Michaelis, substância fluida em estado de agregação aeriforme. Com toda a força de sua criatividade, esse profissional lançou, numa das entradas de Brasília, o seguinte outdoor, sem antes deixar de dar a sua contribuição:
CONSEGUIRAM
ESSE ESTOQUE










domingo, 4 de novembro de 2007

A ESCOLA COMO APARELHO IDEOLÓGICO DO ESTADO DENTRO DA MICROFÍSICA DO PODER, REPRESENTANDO A VERDADEIRA POBREZA POLÍTICA.





Francisco Carlos de Mattos*
A escola não fala a língua do povo. Ela consegue tagarelar aquilo que a minoria quer ver repetido e reforçado pela maioria esmagadora que compõe a população brasileira.
Os currículos são constituídos de falas e falácias extremamente incompreensíveis para aquele(a)s que vêem nesta instituição a mola propulsora para vencer na vida (sic!). Tanto é, que não existe o interesse que deveria haver nas questões relativas à formação humana. No entendimento de um número expressivo de professores, “isto é balela e discurso daquele(a)s que não têm nada o que fazer na escola e ficam inventando modismos. O importante mesmo são os conteúdos escolares, os conhecimentos científicos que os alunos têm que dominar, para se dar bem na vida. O domínio cognitivo é o que continua valendo. Sem essa de avaliação sócio-afetiva ! ”.
Esta concepção de aluno vem dominando o cenário educacional desde o período jesuítico, passando, no século XVII, mais explicitamente, a focar a educação da nobreza. Foi neste período histórico que surgiu o criador de uma concepção, que perdura até os dias de hoje: o filósofo francês René Descartes (1596-1650). “Cogito, ergo sum” passou a ser o foco das atenções e o carro-chefe de Descartes. Segundo este mote (penso, logo existo), o sujeito individual, formado numa competência para ponderar e refletir, passa a ser o ponto de convergência do domínio cognitivo, do conhecimento (Hall, 2006).
Século após século, até o atual, este é o paradigma do bom aluno. Este autor (Op. Cit.), em seus estudos sobre ´A identidade cultural na pós-modernidade` denuncia que “esta concepção do sujeito racional, pensante e consciente, situado no centro do conhecimento, tem sido conhecida como o ´sujeito cartesiano`(p. 27). Nessa reflexão, a escola continua inserida num contexto caracterizado por Althusser (1998) como Aparelho Ideológico do Estado. É ela uma das maiores, senão a maior, construtora de marionetes, que vêem o estado como o grande pai ou que se integram aos elementos que aceitam as ações dos governos como verdadeiras paternalizações. As ´beneficências`, as ´doações`, todos os tipos de vales (gás, leite etc.). Para o alimento do espírito, o Pai Todo Poderoso, que nos nutre com as suas bênçãos. Para a matéria, o pai, também poderoso, que nos abastece com esses programinhas sem-vergonhas, que se transformam em verdadeiras rédeas eleitoreiras.
Essas minúcias politiqueiras, vale a pena lembrar que Maquiavel ensinava o Príncipe a entreter o povo com muita festa e jogos, foi denominada por Foucault ( 1982) como Microfísica do Poder. Hoje, diante de tantas falcatruas que levam ao enriquecimento ilícito de uma minoria através das inúmeras imoralidades que fazem com a saúde pública, não se pode aceitar a implantação de um currículo escolar que reforce os anseios das classes dominantes desse país, prescindindo desses fatos que maculam o espírito do bom cidadão, do exemplar ser humano enquanto elementos de análise e discussão, como conteúdo escolar. Pedro Demo (2006), nesta linha de raciocínio, norteia que a pobreza política é bem mais profunda e arrasadora que a pobreza sócio-econômica, até porque esta é conseqüência daquela. Ao pobre não lhe é dado o direito (já que ele não tem forças para conquistar) de saber porque é pobre. Entendemos a partir dessa reflexão de Demo, que, antes do aluno, é necessário que o professor se enriqueça politicamente, para, então, incentivar aquele para a sua conquista nesse campo.
Diante de tantas mazelas, de tão ignóbil ato de falsificação do leite e seus derivados, das bebidas alcoólicas (do whisky a mais popular), ficaria difícil para o homem do povo, se consciência política tivesse de que essas ações o prejudicam profundamente, querer afogar as suas mágoas com um porre homérico, não cabem falas e falácias da escola, que buscam dar continuidade à formação de sujeitos cartesianos num currículo não constituído de matrizes, mas, ainda e por muito tempo, de grades curriculares, aprisionando a criatividade do povo brasileiro e desrespeitando o seu cotidiano, a sua história.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALTHUSSER, L. P. Aparelhos Ideológicos de Estado. 7ª ed. Rio de Janeiro: Graal, 1998.
DEMO, Pedro. Pobreza Política - A pobreza mais intensa da pobreza brasileira. Autores Associados, Campinas, 2006.
FOUCAULT. Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1982.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomás Tadeu da Silva e Guaracira Lopes Louro. – 11. ed. – Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
________________________________
* Mestre em Educação pela UERJ, professor do ensino médio e Orientador Educacional da Rede Pública Municipal de Cabo Frio, professor de Didática Geral e PPE I da Faculdade da Região dos Lagos (de 1996 a 2006) e de Educação e Trabalho, Educação e Movimentos Sociais, Gestão da Unidade Escolar I e II e TCC no curso de Pedagogia, da Faculdade de Educação Silva Serpa, no Município de São Pedro da Aldeia. E-mail:
okkyxmattos@gmail.com . End. Eletrônicos: www.franciscomattos.wordpress.com e www.franciscomattos.blogspot.com
Cabo Frio, 4 de novembro de 2007

Compenetrado para 2010

Compenetrado para 2010
Visto pela webCam

EU, COMPENETRADO!

EU, COMPENETRADO!

Eu_pela_camara_do_celular

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EUNAPAZ

EUNAPAZ
SORRISO É O ESPELHO DA ALMA.

EU

DE PÉ E À ORDEM... SEMPRE!

"PROF, FRANCISCO MATTOS OE DO ALFREDO CASTRO E MÁRCIA FRANCESCONI

ENCONTRO DE MAÇONS

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PANÓPTICO VIRTUAL

Boca da Barra - CF

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Serra do Rio Rastro (http://www.panoramio.com/photo/752018)

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O VERDE É LINDO!
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