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quinta-feira, 17 de maio de 2007

PALAVRAS DO DEMO



III. MEU CASO COM EDUCAÇÃO
Pedro DEMO
Muitos me conhecem como educador e – assim parece – cada vez mais estou metido na esfera educacional. Na verdade, nunca pretendi substituir o pedagogo, porque faço apenas sociologia da educação e a valorizo como instrumentação fundamental da cidadania (Demo, 2004c). Visualizo educação no contexto da política social e por conta da questão da pobreza política. Considero que, para combater a pobreza, o pobre precisa saber confrontar-se na condição de sujeito. Carece rebelar-se e construir alternativa histórica. Entendo que educação, se bem feita, pode contribuir decisivamente para o saber pensar e intervir, arquitetando a capacidade do pobre de “ler” a realidade de modo crítico e criativo. Educação, conhecimento, aprendizagem são categorias essenciais da construção da autonomia humana (Freire, 1997). São dinâmicas autopoiéticas, reconstrutivas e políticas, de dentro para fora, uma das forjas mais substanciais do sujeito capaz de história própria. Imaginava Freire que educar é influenciar o aluno de tal modo que o aluno não se deixe influenciar (Demo, 2002a). Educação trabalha a habilidade finíssima de constituir sujeitos capazes de saber pensar, aproveitando, entre outras coisas, a potencialidade disruptiva do conhecimento, o que permitiria galgar os três horizontes da cidadania: i) formar consciência crítica, sabendo “ler” a realidade; ii) organizar-se politicamente, em nome da cidadania coletiva; iii) contrapropor alternativa histórica na condição de sujeito autônomo, não de massa de manobra. Autonomia nunca é plena. Somos seres intrinsecamente dependentes. Mas pode ser alargada de maneira surpreendente, se soubermos aprender e conhecer. Meu interesse por educação se resume a isso e é por isso que tantas vezes analisei e critiquei a pedagogia.
De um lado, considero pedagogia o curso mais importante da universidade hoje. É literalmente a “alma mater”, ou seja, o curso fundante, porque trata do mandato central da universidade: conhecer e aprender. De outro, não posso deixar de questionar a precariedade da grande parte dos cursos de pedagogia e que também estão na base da precariedade da atuação de muitos profissionais da educação. De modo geral, é mal formado nosso especialista em formação. Esta crítica, porém, é apenas ponto de partida para contrapropor outros modos de fazer pedagogia, outros modos de oferecer recapacitação aos professores em exercício, outras formas de resgatar a dignidade de um profissional que tem tudo a ver com a dignidade da sociedade. Enquanto grande parte dos professores básicos estiver enredada na pobreza material e política, por vezes, lancinante, não temos como imaginar que a população se rebele, até porque, antes, é preciso que o professor se rebele. Para não dizer que só falei de flores, fiz já muitas experiências alternativas no país, sendo talvez a mais marcante a fundação de um instituto superior de educação em Belém, ligado ao estado do Pará e que entrou em funcionamento em 1990. Existe até hoje, engolido na Universidade do Estado (foi criado como escola autônoma). Com apoio da Secretária de Educação do estado (Therezinha Gueiros), uma filósofa inspiradíssima e comprometida, foi possível montar um grupo que trabalhou durante um ano e colocou de pé a instituição: uma faculdade de educação sem aula! Os alunos deveriam, sob orientação e avaliação dos professores, pesquisar e elaborar. Funcionou bem um ano. Depois, com a mudança de governo, ocorreram dois problemas conjugados: um grupo de professores, sob alegação de que o curso seria “neoliberal”, cuidou de tomar o poder e se coligou como o novo governo (Jader Barbalho); o novo governo tratou, por choque ideológico frontal, de desfazer o que o anterior fizera, inclusive o instituto. Resultado: quando o grupo de professores aparentemente de esquerda se deu por conta, percebeu que havia caído na trama neoliberal – a sede foi perdida em favor da medicina estadual e o curso foi inserido na área de educação da universidade estadual, sem autonomia. Com o tempo, a metodologia de aprendizagem foi se esvaindo, substancialmente porque os professores, no fundo, só sabem dar aula. Incrível: um grupo de professores medíocres, que nunca produziu nada de relevante, resgatou a didática tradicional e suplantou a noção de aprendizagem reconstrutiva política, porque esta seria “neoliberal”, enquanto a prática tradicional seria o signo da esquerda avançada! Perdeu-se uma experiência ímpar, ou pelo menos se deslustrou profundamente a experiência, por conta de alegações de uma esquerda vazia, improdutiva e ignorante.
CONFISSÕES DO DEMO - Não sou neoliberal - Pedro Demo (UnB, 2004)
Disponível em:http://pedrodemo.sites.uol.com.br/textos/confissoes.html . Acesso e capura em 17.maio.2007
Obs.: Destaques (grifos) no texto feitos por mim.
Referências bibliográficas (feitas pelo autor ao longo do texto)
DEMO, P. 2002a. Politicidade – Razão humana. Papirus, Campinas.
DEMO, P. 2004c. Sociologia da Educação – Sociedade e suas oportunidades. Plano, Brasília.
FREIRE, P. 1997. Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários à prática educativa. Paz e Terra, Rio de Janeiro.

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