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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Educação Superior: 500 anos a.C. Sócrates fazia melhor que nós!

Por Francisco C. de Mattos “Viver, e não ter a vergonha de ser feliz...” (Gonzaguinha)
A educação brasileira passa por um grave problema de identidade, assim como toda a sociedade brasileira em que pese todo o seu contexto estrutural. Se aquela é reflexo dessa - temos a certeza disso! -, longe está a perspectiva de podermos vislumbrar saídas alternativas, que nos apontem para a essência da filosofia da Inconfidência Mineira, que, nos idos do século XVIII, já denunciava sobre a “Libertas Quæ Sera Tamem”. Na verdade, o mundo está em crise e as crises estão em crise. Hoje tentam compactar tudo: dos aparelhos eletro-eletrônicos aos problemas conjunturais. Há algum tempo a crise mal começava e já era identificada e analisada em toda a sua estrutura, permitindo assim a possibilidade de abafar o seu crescimento ou a sua multiplicação. Era menos complicado, porque específico. Agora trabalha-se com a generalização: crise das teorias, dos modelos e dos paradigmas num só bloco para se condensar em crise da estrutura social. Uma das poucas áreas que ainda conseguimos ver na “plenitude de sua especificidade”, onde o todo é a soma (matematicamente mal feita) das partes e cujo resultado, extremamente errado, só beneficia, parafraseando Caetano Veloso, os “podres poderes”, é a educação. Quanto mais fragmentado-e-fraco-e-cego-e..., melhor. Com, mais ou menos, vinte e dois anos de magistério (do Ensino Fundamental à Educação Superior), entre os erros e acertos de quem quer e busca crescer profissionalmente, constatei mais os primeiros na prática político-pedagógica de muitos companheiros e companheiras com quem partilhei o espaço das dezenas de instituições por onde passei. Sei que o que é bom e certo para mim, necessariamente, não tem de ser bom e certo para os meus pares. Não desejo nem pretendo afirmar que a homogeneização das práticas pedagógicas em toda a sua complexidade seria a solução para os problemas da educação, até porque, desrespeitar-se-ia a autonomia do sujeito em optar, entre tantas alternativas, por uma que mais se adequasse às suas perspectivas e às suas formações humana e acadêmica. Acredito, alicerçado nessas duas formações, que, quanto mais o homem se aprofunda em pesquisas sobre a biotecnologia, genética, robótica, nanotecnologia etc., mais vai precisar do próprio homem e, mais especificamente, do seu lado humano. Por trás de uma “grande” máquina (ou à sua frente), sempre há e/ou haverá um grande homem. Se a máquina precisa do homem para ser construída, o homem precisa do seu semelhante para sobreviver, construindo-se a cada pensamento, a cada fala, a cada abraço, sorriso, lágrima. O homem educa-se, educando-se no outro. Tudo o que faz sempre tem referência humana. DA LIBERDADE PEDAGÓGICA À PEDAGOGIA DA LIBERDADE 500 anos a.C., Sócrates desenvolvia, numa reflexão pós-partos feitos pela sua genitora, a MAIÊUTICA (parto das idéias), método filosófico em que os seus discípulos “davam luz” aos seus pensamentos, às suas reflexões, ao esforço pessoal, à busca da sabedoria, fazendo-se filósofos no sentido etimologicamente mais simples do termo, que é “amigo da sabedoria”. Nesse método, a tônica do seu fundamento era não “matar” a curiosidade dos discípulos e sempre responder às questões dos mesmos com outras questões, até que eles próprios encontrassem as respostas. É fato comprovado que, se alguém fica alguns minutos olhando fixamente para um certo ponto à sua frente, a tendência é sentir as pálpebras pesadas, é difícil conter o bocejo e... o cochilo é inevitável! Da liberdade pedagógica, no sentido de autonomia, à prática pedagógica dos professores, busca-se a diversidade de ações didáticas e não a sua homogeneização. Cria-se o ambiente de liberdade e, para conquistá-la, é necessário que o indivíduo se tenha educado para isso. Borghi (1990: 39) em muito contribui com essa linha de raciocínio, quando afirma que “não pode haver formação que não seja autoformação (...). Educar significa essencialmente educar-se. Pode-se ter também uma ajuda, uma sugestão, porém, esta sugestão torna-se educativa, na medida em que ativa forças latentes ou já em ação no indivíduo”. Reitero, que liberdade pedagógica é necessária; entretanto, não pode ser qualquer liberdade nem qualquer pedagogia. Antes de qualquer coisa, é mister realçar que a prática do bom senso é uma das mais brilhantes pedagogias que pode existir. É, realmente, preciso muito cuidado para que não se adote qualquer porcaria em nome da licensiodade e, violentamente, empurrar goela abaixo dos nossos alunos. Somos libertários ou simpatizantes do movimento, e não podemos ser confundidos como bobos, no sentido de mantermos uma relação paternalista, afagando a cabeça de quem insiste no erro. Se pretendemos construir a Pedagogia da Liberdade, respeitemos, e não fazemos diferente nessas poucas linhas, a liberdade pedagógica dos nossos professores, desde que ela esteja respaldada no bom senso. Não acredito que todo o professor esteja preparado para tal feito, até porque lhe faltam algumas condições técnicas na sua formação acadêmica. É necessário que este profissional da educação, como condição básica, saiba como acontece a aprendizagem, como o indivíduo constrói conhecimento. Isso não fez parte do currículo do curso que freqüentou, ou se fez, foi algum “doido” ou “doida” que displicentemente “caiu de paraquedas” nele só para ilustrá-lo, para “enfeitar o pavão”, para que os técnicos do MEC saiam satisfeitos das suas inspeções rotineiras, acreditando que a instituição valoriza a formação acadêmico-pedagógica dos alunos, inserindo, neste caso, a disciplina Psicologia. Se a minha prática pedagógica ainda é reflexo, ou cópia fiel e perfeita, das dos professores que me deram aulas na longínqua época em que me formei; se, como eles, acredito que o indivíduo aprende, sendo só ouvidos, passivamente, numa relação extremamente unidirecional, muito tenho a aprender com Sócrates. E olha, que, aproximadamente, 2500 anos após uma mortífera dose de cicuta, ainda se nega o diálogo, o questionamento, a dúvida enquanto métodos de aprendizagem, de construção de conhecimentos. É real que não conhecemos uma educação superior... de superior qualidade ... Permitam-me esta pausa, para tomar uma dose... de DRAMIM*. * DRAMIM: Remédio indicado para náuseas e vômitos em geral. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA BORGHI, Lamberto. A educação permanente.. In: ILLICH, Ivan (et al.). Educação e Liberdade.- tradução de Nelson Canabarro.- São Paulo: Editora Imaginário, 1990. Licença Creative Commons
Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 2.5 Brasil.
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