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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

BRASIL TRANSPLANTADO: CADÊ O ´PULMÃO` QUE ESTAVA AQUI? ¹


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BRASIL TRANSPLANTADO: CADÊ O ´PULMÃO` QUE ESTAVA AQUI? ¹
Francisco Carlos de Mattos*

“ Ê, ô, ô vida de gado,
povo marcado,
ê povo feliz”.
(Zé Ramalho, compositor brasileiro)

“O Analfabeto Político”
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia
a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo
(Bertold Brecht)

Oh, quão suave seria se os nossos resgates de memórias em quaisquer campos do conhecimento humano, pudessem ser inseridos em um saudosismo positivo. Não é o que acontece com o que pretendemos enfocar nesse espaço, em breves palavras.
Determinados fatos poderiam ser deletados dos nossos arquivos neurônicos, em função da mácula deixada em nossa dignidade de cidadãos. Só que essa consciência é construída em um tempo em que o que resta, é a tentativa de deixar para a posteridade um grito de alerta, com o intuito de que a nossa juventude de hoje não permita que fatos extremamente inglórios como esses se repitam, apesar de nossa impotência política, de nossos alijamento e fraqueza sociocultural e de nosso ´umbilicalismo`geográfico, quando denotamos como nossas atitudes imbecilizantes, que o que está acontecendo além dos muros do nosso quintal, não nos diz respeito.
O poema de Brecht que vem epigrafar esta reflexão, ilustra sobremaneira o resgate memorial que ousamos fazer. Na época, há 37 anos, éramos um completo analfabeto político, primeiro por força da tenra idade (10 anos) e segundo, que político, naqueles tempos idos, nem analfabeto... a não ser que fosse militar.

HAJA PULMÃO PARA AGÜENTAR TANTA PRESSÃO
Amargamos durante exatos vinte e um anos (1964 – 1985) um período histórico-político, que, como exposto na introdução, gostaríamos de deletar de nossos arquivos mnemônicos, em função das atrocidades cometidas, para que o ”vírus” do comunismo não contaminasse esse povo ordeiro e trabalhador. Enquanto um “vírus” era combatido, outros tomavam corpo em corpos e almas que tentavam resistir, tais como a covardia, a desumanidade, a violência desmedida, que cerceavam nossos anseios de um mundo melhor, de uma sociedade justa e igualitária, de uma nação onde pudéssemos, que seja, sonhar em sermos livres e felizes.
Enquanto nos mantinham calados pelo argumento da força, sucatearam o país como bem queriam, a começar pela Amazônia, que por sua localização geográfica e constituição do espaço ambiental, para leigos e vendilhões de terra de ninguém, de nada valia, pois o que poderia trazer de retorno financeiro um lugar só de “mato”, na verdade a maior reserva natural de biodiversidade e um dos maiores mananciais hidrográficos do mundo?
É interessante deixarmos bem claro, que antes da crucificação de Ludwig, temos que destilar os nossos venenos em outro ilustre norte-americano, depois em um “coronel” conterrâneo explorador de terra e de “terráqueos” e um grupo de sanguessugas tupiniquins constituídos num consórcio, para dar continuidade à exploração de nossas terras.

G.E.O. (Guerra aos Exploradores Ordinários)

Em nossas pesquisas descobrimos que um Ford já circulou pelas terras amazônicas, deixando, também ele, suas marcas por lá. Segundo dados coletados, “em 1927 Henry Ford comprou cerca um milhão de hectares na selva, junto ao rio Tapajós, e iniciou uma gigantesca plantação de borracha” (TEIXEIRA, 2004).
Entenda-se isso como uma prévia que vem ao encontro do tema que norteia as reflexões desse número de nossa SINGULARIDADES "Socorro! Os EUA vão invadir militarmente a Amazônia ! ". Pelo visto, eles já vieram, deixaram aqui um elemento estranho, um alienígena que se espalha como erva daninha, que prepara terreno para esta invasão. Portanto, há exatamente setenta e sete anos isso já vem sendo anunciado! Aqui chegaram como empresários bem sucedidos, que não dependiam de favores dos governantes da época. Ao contrário, eram extremamente benevolentes com todos, inclusive o governo.
Como estava tendo problemas com fornecedores de borracha,




“Ford resolveu então criar sua própria fonte, comprando uma frota de 199 navios para transportar suprimentos e materiais para a Amazônia e levar borracha na volta. Para seus cinco mil operários, construiu casas, hospitais, estradas, rede de esgoto e água, escolas, creches e igrejas. A cidade da borracha recebeu o nome de Fordlândia, que durou dezoito anos” (idem).



Assim como a história nos conta que Napoleão foi derrotado pelo rigoroso inverno europeu, um clássico erro estratégico, assim também o foi com Henry Ford, o ícone do capitalismo moderno: a selva, com seus mistérios, foi mais forte que o capital acumulado do investidor.
Segundo, ainda, Teixeira (2004),

“erros e azares pouco a pouco destruíram seu projeto. Os navios comprados só poderiam navegar no Rio Tapajós durante a temporada da cheia. Doenças atacaram os trabalhadores em massa. A monocultura foi praguejada por lagartas em 1942, e outros problemas ligados à vulnerabilidade das monoculturas de grande escala na região tornaram a produtividade da árvore constantemente aquém da imaginada”.

Para os nossos silvícolas, aquelas terras eram demarcadas por várias tribos indígenas, podemos afirmar, que a Amazônia foi devastada por jagunços, que sob o jugo dos “coronéis”, faziam valer o dito popular do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, matando desembestadamente quem atravessasse a sua frente, incluindo nessa ordem, talvez, principalmente, os índios, que sempre, com todas as razões, reivindicaram a seu favor a posse da terra e a todo o momento, até hoje, colocam-se como os verdadeiros “donos”, primeiros habitantes que foram, de nosso território nacional. Covardemente dizimados, os poucos sobreviventes ainda encontram força e coragem de dar continuidade às suas reclamações.
Como em terra de ninguém mais vale o argumento da força do que a força do argumento, resgatamos o anexim citado no parágrafo anterior para sustentar a denúncia, que não e só norte-americanos que gostam de explorar o nosso território. Entre tantos outros exploradores, queremos destacar o próprio brasileiro e, mais uma vez, os irmãos portugueses.
Sustentar o analfabetismo em todas as suas vertentes (o funcional e o total, incluindo aí o político), sempre foi um excelente caminho para os velhacos, que sempre investiram os seus esforços e capitais na “produção” desenfreada de analfabetos políticos. Brecht, ao analisar a postura desses últimos, muito apropriadamente, diz que “Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo” .
Por esse caminho, o Brasil também fez história, quando da época do coronelismo, onde, mandava mais, quem tinha uma invejável conta bancária. Assim aconteceu com o seringalista José Júlio de Andrade, que se fez coronel por esse motivo, ampliando o seu “território” de mandos e desmandos ao, ganancioso aos extremos, conseguir assento na Câmara dos Deputados e, posteriormente, no Senado Federal. Sabedor do conhecimento do poder e do poder do conhecimento, quando dos seus mandatos políticos, fez uso da astúcia enquanto uma de suas mais poderosas armas, ao consignar por escrito, através de ardilosas tramas em cartórios, uma área de, aproximadamente, três milhões de hectares nos limites da Amazônia, Pará e Amapá. Depois de conseguir uma abundância de bens, já no meado do século passado, houve um enfraquecimento do coronelismo e ele, então, vende as terras para um grupo de comerciantes portugueses, que, durante dezenove anos, portanto até 1967, continua com as explorações extrativista e humana, negociando-as neste ano com o mega-empresário Daniel K. Ludwig, criador do Projeto Jari, que, em 1981, já tendo alguns prejuízos ditados pelas forças da natureza, tenta extorquir uns seis milhões de dólares do último presidente dessa época de triste memória, o general João Baptista Figueiredo, que o ignora. Irritadíssimo Ludwig vende o projeto, assim como comprou as terras para implementá-lo do primeiro chefe do poder militar, a preço de bananas, um ano depois, a um consórcio de empresários brasileiros.

FECHANDO AS PORTAS DO BRASIL AOS EXPLORADORES

Não se pode querer colocar tranca na porta depois desta ser arrombada. Portas já não mais existem, há muito tempo. Posterior à chegada das esquadras de Cabral (primeira pancada para derrubar a porta), Dom João VI, trezentos e oito anos depois, abre as portas (no caso, os portos) às Nações amigas. Sem pretender nos delongar em retrospectos históricos, já que muitos outros momentos de tentativas de derrubada das nossas portas aconteceram, avancemos trinta e nove anos, para chegarmos à “invasão fordista”, que expusemos enquanto início dessas nossas reflexões.
Procuramos contribuir com esses recortes históricos sem muitas pretensões de aprofundamentos políticos, já que entendemos, que interesses outros vão além de alguns alqueires de terra. A quem se deve muito, muito tem que se pagar.
Em nossos parcos conhecimentos das causas diplomáticas que envolvem o contexto político-econômico, arriscamos dizer, que o mecanismo de emprestar muito a quem não pode pagar de imediato, é a política maquiavelista de usurpar do devedor, além das terras, a sua dignidade. Invadir parte do território nacional é o mínimo que se pode pretender, para quem pretensamente domina o mundo.
Confessamos, que o que mais nos assusta, é essa arquitetada falta de memória do povo brasileiro e essa indisposição, arraigadamente cultural, para a pesquisa de nossa história. Quem não conhece um pouco do passado, não pode entender o que pode acontecer no futuro!

· Mestre em Educação pela UERJ, pedagogo, Orientador Educacional da Escola Municipal Prof. Márcia Francesconi Pereira e, atualmente, ocupando a função de chefe do setor de Orientação Educacional do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental na Secretaria de Educação do Município de Cabo Frio, RJ
· ¹. Texto originalmente encomendado e publicado na Revista Singularidades... modos de ser inconformista, Lisboa, Ano XI, Novembro – 2004. 5ª Série, pp.: 60-65
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
TEIXEIRA, Carlos M. 1968-2008: do Projeto Jari ao Protocolo de Kyoto. Disponível em; http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq023/arq023_01.asp. Acesso em 05/10/2004.
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