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domingo, 10 de junho de 2007

CO(M)TEXTO


Francisco Carlos de Mattos¹

“Silêncio... calar que fala mais que mill falas. Eloqüente discurso repleto de fala, que cala a fala do outro”.²

I.REFLEXÕES INICIAIS
Antes, muito antes, da formação no magistério, já existia o incômodo com questões ligadas ao falar e escrever dos simples mortais que fazem do cotidiano da vida a melhor escola (nos vários sentidos que este possa ter, principalmente no que se refere à facilidade de se dizer não à rotina, de, marotamente, transgredi-la). Fugiram da escola? Queriam entrar, mas tiveram acesso negado? Nem chegaram a pleitear vaga? Para cada questionamento enquadramos um sem-número de “futuros doutores”. Evidente que para os que se encaixam no primeiro, mesmo tendo fugido sem ter entendido porque “Ivo viu a uva” ou “a bola é bela”, virar doutor, sendo, hoje, aprovado no vestibular de qualquer “McUniversidade”, é a maior moleza. Ué, professor... ou será melhor, eu, hein professor! Maneira mais esquisita de iniciar reflexões sobre a comunicação escrita e falada.
Na verdade, esses primeiros passos têm muito a ver com o que se pretende defender.
Críticas foram construídas há tempos, pelo tamanho dos títulos-tema dos textos, que se produzia alegando os censores serem os mesmos complicados pela extensão de linhas. No “jiboiar” da cama, olhos fixos no teto, apreciando figuras geométricas das mais doidivanas possíveis, dançando ao “som” do reflexo das luzes, surgem bolinhas entrelaçadas (sombra da corrente da luminária), sugestionando reticências... Ué, pensa-se... porque não criar um título-tema monossilábico, para agradar a gregos e troianos ? É isso, foge-se do estigma de escritor-dos-títulos-extremamente-compridos, mostrando que se é capaz de escrever sobre “EU” ou “UÉ”, por exemplo, e depois retoma-se o caminho. Por outro lado, o que o .... esquece... o que o título tem a ver com o tema ? Nem sempre eles são fiéis um ao outro. Não se está, com isso, querendo afirmar que um monossilábico título seja infiel ao tema discorrido.
Acredita-se que qualquer motivo é mais do que justo - é perfeito!- para se produzir um texto. Escrever por e para qualquer coisa, deveria ser praxe em nossas vidas. Falar de, para... anotar o que se fala, acreditando que o que se escreve vai ser de suma importância para quem vier a ler. Nosso eu não é mudo... é tudo...vai fundo nas pretensões Ninguém fala ou escreve por você ou pelo menos não deveria. Na medida em que você exerce o direito de expressão, demonstra ser e ter referência, identidade. Cidadania? Pode ser, mas ainda não se pretende ocupar esse espaço. Você quer? Sugere-se deixar um pouquinho mais lá para frente. Afinal, ter-se-á um bom tempo para se ficar juntos. Bem, confessa-se que é o que se pretende. Será que se conseguirá ?
É importante deixar claro, que a conquista de interlocutores acontece quando a democracia prevalece. Fala-se com e para. Isso denota o mínimo de duas pessoas conversando, trocando idéias, checando ideologias, emitindo mensagens um para o outro. Para transformá-lo(a) em leitor(a) nesse momento (e por esse momento), o texto é produzido de tal maneira, que você, ao lê-lo, tem vontade de responder ou de falar alguma coisa. É a interatividade querendo funcionar.
Mas, falar e escrever só para quem teve acesso aos bancos escolares das grandes e melhores universidades do país ou caso Deus tenha ajudado, quiçá as do mundo. Falar e escrever do jeito que a gente sabe só nos fundos dos quintais, onde a prosa rola solta e o que se escreve, vale; quer dizer, “vale o que está escrito!” Se existe alguém ali com formação acadêmica e, principalmente, em Língua Portuguesa, o título foi, tranqüilamente, esquecido em casa ou deixado no portão do recinto, tal qual se fazia no velho oeste um pouco mais civilizado, quando se deixavam as armas na entrada dos “Saloons”. Com certeza neste espaço não se “corta” a fala do sujeito e nem olhares e atitudes têm a desfaçatez e a frieza de um canivete como na história de Elias Canetti³. Sujeito aqui é tomado no seu sentido filosófico, que desenvolve sua intelecção com outros sujeitos-interlocutores-corporativistas, que se entendem e se sentem seres reais, demonstram qualidades e praticam ações, têm identidades e se orgulham delas. São libertos dos academicismos, falam as suas falas, criam e se divertem com as sua criações e com as suas criatividades.
De acadêmico nas relações sociais, destacam-se posturas, respeito ao outro pelo outro, ou seja, por ser o outro, não por ter isso ou aquilo, essa ou aquela formação. Respeito e admiração se conquistam nas relações sociais do cotidiano, no tête-à-tête, no acreditar no que se fala e no que se ouve, no rir de doer a barriga com as bobagens ditas, na cumplicidade do se perder a hora. Este é o corporativismo que vale a pena ser integrado.
Escola boa essa que respeita a individualidade do sujeito e a sua fala. Bom aluno esse, que se vendo respeitado naquilo que é e no que fala, entende a fala da escola e o seu papel numa sociedade de papéis.
Não é a escola que faz o aluno e sim o contrário. Quantas vezes não se ouviu essa frase em nossa trajetória escolar? E o engraçado é que sempre se achava “conversa fiada”, caretice de professor que já esqueceu o quanto é bom matar aula para namorar ou “bater uma pelada” na praia, com a galera feminina dando a maior força na torcida. _Cara, muito melhor que aturar o chato do Francisco ! _ Também se entende desse jeito. Imaginem um velho-professor-velho falando pelos cotovelos e, muitas das vezes nos fazendo escrever o que fala (o que dita, pois a “sua fala” não é exatamente dele e sim do autor do livro texto, que não foi adotado pela turma, justamente para não cortar esse barato metodológico do docente. Se lhe tirar o livro, tira-se a sua língua, as forças, a criatividade).

¹. Mestre em Educação pela UERJ, professor do Ensino Médio e Orientador Educacional da Rede Pública Municipal de Cabo Frio, professor de Gestão da Unidade Escolar I e II e de TCC da Faculdade de Educação Silva Serpa, no Município de São Pedro da Aldeia e, atualmente, ocupando o cargo de Chefe do Serviço de Orientação Educacional de 5ª a 8ª séries, de Ensino Médio e EJA na Secretaria Municipal de Educação de Cabo Frio.
². Poema produzido especialmente para ilustrar a “abertura” da Dissertação de Mestrado do autor.

³.Elias CANETTI. A língua absolvida. São Paulo : Companhia das Letras, 1989.
OBS1.:Este texto pretende convocar/provocar outros autores. Uma frase que seja, fará de você co-autor do mesmo. Tente dar continuidade.... Aguardo sua contribuição!!!

OBS2:O texto está em construção e ainda não passou por uma revisão ortográfica e gramatical. O leitor que perceber alguma falha nessa área, favor mandar mensagem comunicando tal fato.
Disponível em: http://xykkoboss.blig.ig.com.br/. Acesso e captura em 10 jun. 07.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Sopa de letrinhas ou PQP, prenderam o PQD sem CPI.



Francisco Carlos de Mattos

Flashes... muitos flashes. Policiais se acotovelavam para aparecer nas fotos. E antes que algum desavisado pense que o sujeito aparece de sunga, para que os "heróis" não corressem o risco do mesmo estar armado, é bom avisar, que, na verdade, eles queriam mostrar que o anti-herói, com todo aquele físico, resultado de muita malhação numa moderna academia em sua mansão, não foi páreo para eles. CORTA!
Brasília. CPI. Muitas. Várias. Trabalho e mais trabalho para os nossos parlamentares... coitados! Face tal labuta, que assusta, filhos da luta, é necessário, por todo esse esforço, um aumento de salário. Desta forma, senadores e deputados passam de R$ 12.700, para R$ 24.600, sendo que a decisão foi tomada na reunião entre os presidentes da CÂmara, Aldo Rebelo e do Senado, Renan Calheiros com os integrantes da Mesa das duas Casas e líderes partidários. Hoje, entende-se o porquê do aumento ao se analisar os profundos problemas familiares do "pobre" e nobre Calheiros. Mas, voltemos às CPI. Às tantas, às demasiadas, às abundantes CPI. Do Apagão Aéreo, da Navalha, dos Sanguessugas, dos Bingos, etc, etc, e etc. CORTA... mais uma vez!
Favela Vila Cruzeiro, Penha, subúrbio do Rio. ´Tá lá um corpo estendido no chão`.. um não... dois... três... criança, jovem, adulto. A mortandade se faz democrática, não é preconceituosa: negros, brancos, mulheres, homens, cristãos, ateus, policiais, ladrões. Políticos de todos os âmbitos mancomunados com o poder econômico, prestando, evidentemente, contas aos que bancaram suas campanhas. Os lobbys constituídos por cidadãos comuns, já estão perdendo as forças, saindo de moda e se dissolvendo, para dar lugar aos formados por aqueles eleitos pela selvageria capitalista, para representá-la, com toda a força, nas Casas Legislativas.Vereadores e prefeitos agregados aos interesses imobiliários, deputados estaduais e governadores parceiros das grandes empreiteiras de obras e deputados federais, senadores e presidente de braços dados a esses dois campos de atividade e mais a todos os outros. Atores presos por porte e uso de drogas, atrizes porras-loucas que se atiram do 8º andar de um prédio, cantores com traumatismo craniano de tanto dar porrada na parede, com as narinas branquíssimas e alegando ser tinta da parede, jogadores de futebol bêbados, ´póbedos`, atropelando e matando transeuntes desavisados, que não tinham nada que estar no lugar errado e na hora errada e por aí vai. Nossos heróis continuam morrendo de overdose... triste do povo que precisa de heróis...mesmo assim, não existem modelos do bem nem acima nem abaixo da Linha do Equador. E nessa sociedade desfigurada, há quem chore e se apiede por que PQP, digo, PQD foi preso. Não é à toa que se vê nos muros e fachadas as exaltações às organizações do mal; mas, há que se perguntar: mal prá quem, cara pálida? Na linguagem popular diz-se, que quando o dinheiro não entra pela porta, a mulher sai pela janela. Pode-se deduzir, que quando não há políticas públicas, em especial, educação, saúde, habitação para a população, quando o Estado não assume o que é seu dever, um outro, paralelo, o faz. E , sem apologias ao banditismo, que não é o propósito desse texto, PQP, prenderam somente um PQD e esqueceram os vários outros espalhados nas Câmaras, Assembléias, prefeituras, ´Palácios`de Governo de Estado, Congresso Nacional... CORTA!!!

domingo, 3 de junho de 2007

(RE)REPASSANDO...

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Recebi mais uma das várias pérolas enviadas pela companheira Leila Paula. Como, segundo o e-mail recebido, ela recebeu de outra pessoa e solicitou para repassar, estou atendendo o pedido. Há Professores e há Educadores...
Numa escola pública estava ocorrendo uma situação inusitada: Uma turma de meninas de 12 anos que usavam batom todos os dias removiam o excesso beijando o espelho do banheiro. O diretor andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom... Um dia o diretor juntou o bando de meninas e o zelador no banheiro, explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam. Depois de uma hora falando, pediu ao zelador para demonstrar a dificuldade do trabalho.
O zelador imediatamente pegou um pano, molhou no vaso sanitário e passou no espelho.
Nunca mais apareceram marcas no espelho!
Há Professores e há Educadores...
(-: Um abraço repleto de muita paz .... :-)
"Senhor, não nos deixes entregues ao suposto bem que se transforma em mal e não nos permitas menosprezar o suposto mal que nos conduz ao bem"
Emmanuel

segunda-feira, 28 de maio de 2007

METODOLOGIA CIENTÍFICA





Num país onde pesquisa sempre foi vista como uma atividade para alguns poucos iluminados encastelados nas academias ou nos laboratórios, você tentar iniciar, já muito tardiamente, adolescentes de 1º ano do ensino médio nos "mistérios" da Metodologia Científica, só começando com uma brincadeira. Assim, após as pontuações conceituais e as inúmeras utilidades da disciplina, organizei a turma em grupos e provoquei a criatividade dos alunos, solicitando-lhes que tentassem produzir alguns acrósticos com o nome da mesma. Um grupo fez o seguinte trabalho:

E ste
S erá
T eu
U nico
D esejo:
A lcançar
N ovos
T riunfos
E m sua vida.

M atéria
E m que ajuda
T odos a
O rganizar as
D isciplinas,
O nde
L er e
O bservar
G eram
I déias que
A judam a

C omunidade se
I mpor
E m
N ovas
T arefas
I nfluenciando as
F amílias a
I maginar
C omo o
A manhã será!

Trabalho feito em 28/04/2005
Autores: Aline, Allana, Camila Sales, Tamirez e Wesley.

sexta-feira, 25 de maio de 2007



É DE DOMÍNIO PÚBLICO, MAS POUCOS USAM!!!!

CULTURA

Precisamos impedir um desastre.
Imaginem um lugar onde se pode ler, gratuitamente, as obras de Machado de Assis, ou A Divina Comédia, ou ter acesso às melhores historinhas infantis de todos os tempos.
Um lugar que lhe mostrasse as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci.
Onde você pudesse escutar músicas em MP3 de alta qualidade.
Pois esse lugar existe! O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site:
http://www.dominiopublico.gov.br/.Só de literatura portuguesa são 732 obras! Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno.
Vamos tentar reverter, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.

CICLONE ? ! ? !












Jato d'água sobre o mar a centenas de metros da costa de Cingapura; o fenômeno ocorreu devido à diferença de pressão entre a superfície do mar e a atmosfera
Disponível em: http://noticias.uol.com.br/ultnot/album/070525_album.jhtm?abrefoto=3. Acesso e captura em 25-5-07

segunda-feira, 21 de maio de 2007

JAQUELINE, A DOCE ESTRIPADORA!


Francisco Carlos de Mattos*

Ela não nos enganou. Logo no início da oficina sobre sexualidade e diversidade, último encontro dos quatro que compunham o curso sobre "Escola sem homofobia: construindo para a diversidade", alguma propriedade nos chamou a atenção para aquela moça, mais balzaquiana que gatinha no tocante à idade cronológica, mas, com certeza, uma gatíssima balzaquiana no que se refere às belezas da matéria e do espírito. A primeira transparência no telão projetada pelo datashow nos dava conta do tema e de quem estava ali na frente e o que fazia: SEXUALIDADE E DIVERSIDADE - Jaqueline Rocha Côrtes - Consultora de projetos em HIV/Aids - Assessora técnica - COOPEX.
_Alguma coisa de diferente naquela moça loira, que parece ser a palestrante. - Cochichou-me Jamelzinha.
_Será o Benedito, Jamel? Você não nega a sua origem mineira, hein menina! Mas, não é que percebi a mesma coisa!
No início da atividade ela nos pareceu preocupada em pontuar as regras do jogo, para uma convivência pacífica para aquelas 4 horas que iríamos passar juntos.
Propôs uma primeira dinâmica de apresentações e a iniciou, expondo, mais ou menos, o que continha na transparência, que ainda permanecia no telão.
Aos poucos foi demonstrando extrema segurança no que dizia, levando-nos à desconstrução de alguns (pre)conceitos concernentes ao grande tema tabu na sociedade brasileira. E assim, íamos entendendo um pouco mais sobre sexo gonadal, social, erótico/afetivo, psicológico, genital e genético e percebendo que as pessoas não têm opção sexual, até porque ninguém optaria naturalmente por uma expressão da sexualidade tão discriminada, mas sim orientação/inclinação sexual. Dessa forma, construíamos conceitos política e socialmente corretos como heterossexual, homossexual e bissexual.
A cada fala com sentido, máscaras sem sentidos iam desmoronando e, já nos acostumando com aquela presença simpática, inteligente e, agora, mais descontraída, as considerações finais estavam sendo tecidas com a avaliação do encontro por cada participante.
No final, ela toma a palavra para se "reapresentar" e com todo o orgulho do mundo, diz ser uma transexual, já com resignação de sexo, identidade feminina reconhecida, muito bem casada, feliz e convivendo com a Aids há 4 anos.
Tremenda guerreira em todos os sentidos, que se encaixa nas palavras que me vieram à memória, construídas enquanto respostas para as que ela apresentou como provocação em determinado momento dessa tarde. Para SEXO, escrevi excelência e vida; para a expressão SER DIFERENTE, arrisquei a frase sou o que sou não o que os outros querem que eu seja e coragem; e, finalmente, para AIDS, expressei impacto, consciência e vida.
Rasgou-nos as entranhas do preconceito e se constituiu em JAQUELINE, A DOCE ESTRIPADORA.
É, ela, com certeza, não nos enganou... e obrigado por isso, Jaqueline!
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* Mestre em Educação pela UERJ, professor do Ensino Médio e Orientador Educacional da Rede Pública Municipal de Cabo Frio, professor de Gestão da Unidade Escolar I e II e de TCC da Faculdade de Educação Silva Serpa, no Município de São Pedro da Aldeia e, atualmente, ocupando o cargo de Chefe do Serviço de Orientação Educacional de 5ª a 8ª séries, de Ensino Médio e EJA na Secretaria Municipal de Educação de Cabo Frio.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

PALAVRAS DO DEMO



III. MEU CASO COM EDUCAÇÃO
Pedro DEMO
Muitos me conhecem como educador e – assim parece – cada vez mais estou metido na esfera educacional. Na verdade, nunca pretendi substituir o pedagogo, porque faço apenas sociologia da educação e a valorizo como instrumentação fundamental da cidadania (Demo, 2004c). Visualizo educação no contexto da política social e por conta da questão da pobreza política. Considero que, para combater a pobreza, o pobre precisa saber confrontar-se na condição de sujeito. Carece rebelar-se e construir alternativa histórica. Entendo que educação, se bem feita, pode contribuir decisivamente para o saber pensar e intervir, arquitetando a capacidade do pobre de “ler” a realidade de modo crítico e criativo. Educação, conhecimento, aprendizagem são categorias essenciais da construção da autonomia humana (Freire, 1997). São dinâmicas autopoiéticas, reconstrutivas e políticas, de dentro para fora, uma das forjas mais substanciais do sujeito capaz de história própria. Imaginava Freire que educar é influenciar o aluno de tal modo que o aluno não se deixe influenciar (Demo, 2002a). Educação trabalha a habilidade finíssima de constituir sujeitos capazes de saber pensar, aproveitando, entre outras coisas, a potencialidade disruptiva do conhecimento, o que permitiria galgar os três horizontes da cidadania: i) formar consciência crítica, sabendo “ler” a realidade; ii) organizar-se politicamente, em nome da cidadania coletiva; iii) contrapropor alternativa histórica na condição de sujeito autônomo, não de massa de manobra. Autonomia nunca é plena. Somos seres intrinsecamente dependentes. Mas pode ser alargada de maneira surpreendente, se soubermos aprender e conhecer. Meu interesse por educação se resume a isso e é por isso que tantas vezes analisei e critiquei a pedagogia.
De um lado, considero pedagogia o curso mais importante da universidade hoje. É literalmente a “alma mater”, ou seja, o curso fundante, porque trata do mandato central da universidade: conhecer e aprender. De outro, não posso deixar de questionar a precariedade da grande parte dos cursos de pedagogia e que também estão na base da precariedade da atuação de muitos profissionais da educação. De modo geral, é mal formado nosso especialista em formação. Esta crítica, porém, é apenas ponto de partida para contrapropor outros modos de fazer pedagogia, outros modos de oferecer recapacitação aos professores em exercício, outras formas de resgatar a dignidade de um profissional que tem tudo a ver com a dignidade da sociedade. Enquanto grande parte dos professores básicos estiver enredada na pobreza material e política, por vezes, lancinante, não temos como imaginar que a população se rebele, até porque, antes, é preciso que o professor se rebele. Para não dizer que só falei de flores, fiz já muitas experiências alternativas no país, sendo talvez a mais marcante a fundação de um instituto superior de educação em Belém, ligado ao estado do Pará e que entrou em funcionamento em 1990. Existe até hoje, engolido na Universidade do Estado (foi criado como escola autônoma). Com apoio da Secretária de Educação do estado (Therezinha Gueiros), uma filósofa inspiradíssima e comprometida, foi possível montar um grupo que trabalhou durante um ano e colocou de pé a instituição: uma faculdade de educação sem aula! Os alunos deveriam, sob orientação e avaliação dos professores, pesquisar e elaborar. Funcionou bem um ano. Depois, com a mudança de governo, ocorreram dois problemas conjugados: um grupo de professores, sob alegação de que o curso seria “neoliberal”, cuidou de tomar o poder e se coligou como o novo governo (Jader Barbalho); o novo governo tratou, por choque ideológico frontal, de desfazer o que o anterior fizera, inclusive o instituto. Resultado: quando o grupo de professores aparentemente de esquerda se deu por conta, percebeu que havia caído na trama neoliberal – a sede foi perdida em favor da medicina estadual e o curso foi inserido na área de educação da universidade estadual, sem autonomia. Com o tempo, a metodologia de aprendizagem foi se esvaindo, substancialmente porque os professores, no fundo, só sabem dar aula. Incrível: um grupo de professores medíocres, que nunca produziu nada de relevante, resgatou a didática tradicional e suplantou a noção de aprendizagem reconstrutiva política, porque esta seria “neoliberal”, enquanto a prática tradicional seria o signo da esquerda avançada! Perdeu-se uma experiência ímpar, ou pelo menos se deslustrou profundamente a experiência, por conta de alegações de uma esquerda vazia, improdutiva e ignorante.
CONFISSÕES DO DEMO - Não sou neoliberal - Pedro Demo (UnB, 2004)
Disponível em:http://pedrodemo.sites.uol.com.br/textos/confissoes.html . Acesso e capura em 17.maio.2007
Obs.: Destaques (grifos) no texto feitos por mim.
Referências bibliográficas (feitas pelo autor ao longo do texto)
DEMO, P. 2002a. Politicidade – Razão humana. Papirus, Campinas.
DEMO, P. 2004c. Sociologia da Educação – Sociedade e suas oportunidades. Plano, Brasília.
FREIRE, P. 1997. Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários à prática educativa. Paz e Terra, Rio de Janeiro.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Lei nº 11.273

CASTELOS MARMÓREOS DO SABER E/OU CASA DA MÃE JOANA

Francisco Carlos de Mattos

Muitas coisas acontecem por esse mundão de meu Deus e nós, pobres mortais, que não temos acesso aos "castelos marmóreos do saber", onde se instalam os PHDeuses norteadores dos nossos parcimoniosos e pobres destinos de acesso ao conhecimento, ficamos à míngua, tendo que engolir o sarcasmo dos nossos governantes ao anunciarem os míseros R$ 840,00 (por 40 horas de trabalho), enquanto os "tubarões" de nossas Casas Legislativas e o executivo maior passam a receber salários acima dos R$ 10.000,00, além das "mamatas", que elevam esses valores mais alto que pressão de pobre no final de mês. E ainda tem um engraçadinho que afirma, que o aumento se fazia necessário, pois ao final do mês só sobravam R$ 5.000,00. Coitado do pobrezinho, não?
Segundo o Estadão de 9 de maio,

"O plenário da Câmara aprovou nesta quarta-feira, 9, o projeto de aumento dos salários parlamentares, que estavam sem reajuste desde o início de 2003, assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A votação foi simbólica, sem registro dos votos no painel eletrônico, e por isso, não é possível saber quem votou a favor nem quem foi contrário à proposta, que deve ser encaminhada agora ao Senado. O reajuste é retroativo a 1º de abril.
Os salários passaram a ser os seguintes: deputados e senadores - de R$ 12.847,20 para R$ 16.512,09; presidente da República - de R$ 8.885,48 para R$ 11.420,21; vice-presidente e ministros de Estado - de R$ 8.362,00 para R$ 10.748,43."


Mas, deixemos esses safados de lado. No fundo eles não estão errados, não! Errados somos e fomos nós!
Na verdade entrei aqui, neste momento, movido pela necessidade de divulgar uma Lei sancionada pelo Sapo Barbudo em 06 de fevereiro de 2006, que autoriza a concessão de bolsas de estudo e de pesquisa a participantes de programas de formação inicial e continuada de professores para a educação básica.
A Lei é a explicitada abaixo e o link, para a leitura, na íntegra, da mesma, no início desre rexto.
Acessem e divulguem!!!

Lei nº 11.273

domingo, 6 de maio de 2007

A FALA QUE CALA OU QUE CALAM!

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“Quantos de nós, e de quantas diferentes maneiras, e por quais diversos motivos, e em quantas
poucas ou muitas ocasiões, corremos o risco de ter cortada a nossa língua? Quantos de nós, e de
quantas diferentes maneiras, e por quais diversos motivos, e em quantas poucas ou muitas
ocasiões, fomos ameaçados na nossa palavra e aprendemos a nos calar, a ter medo de dizer o que
pensamos, a ter medo até de confessar que pensamos ou divergimos. Quantas crianças; adultos
quantos...!? E o superamos?... Nada mais me parece possível dizer sobre a importância da fala,
e de sermos donos e donas de nossa voz e daquilo que queremos dizer".
Sonia Kramer

sábado, 5 de maio de 2007



APRENDENDO COM A PESQUISA

APRENDIZAGEM: DINÂMICA RECONSTRUTIVA POLÍTICA
“ Hoje admite-se cada vez mais que, se quisermos chegar ao saber pensar do aluno, não há como evitar a elaboração própria, na qual seja possível perceber a maneira de interpretar, argumentar, fundamentar. Em sala de aula, seria o caso superar a prova, colocando em seu lugar procedimento mais inteligente. Por exemplo, se o aluno pesquisa e elabora toda semana, chega ao fim do mês com farto material próprio, o que substitui facilmente a prova.(DEMO, Pedro. Ser professor é cuidar que aluno aprenda. Porto Alegre: Mediação, 2004, p. 69.)
* “Autopoiese”= característica de todo ser vivo de funcionar de dentro para fora (MATURANA E VARELA).
* Não é a realidade externa que simplesmente se impõe ao sujeito, mas é este que a capta de modo reconstrutivo, interpretativo ou hermenêutico ou seja, interpretando-a no seu sentido mais íntimo.
* O ser humano só aprende o que quer, o que lhe traz alguma referência para a vida, o que atende a uma necessidade imediata ou futura, o que lhe seja significativo, o que lhe desperta o desejo de aprender. O professor tem que se transformar num despertador do desejo de aprender.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Eu, Orientador Educacional, 27 anos formado, “drogado” e “prostituído” pelo FEBEAPEBRA*




Francisco Carlos de Mattos ¹

Resumo: Assim como qualquer professor das chamadas disciplinas do Núcleo Comum de matérias, como, por exemplo, Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História, Língua Inglesa, Biologia etc pode fazer pós-graduação em Orientação Educacional e atuar como tal, quem é Orientador Educacional pode fazer, também, uma pós em qualquer uma das disciplinas citadas e lecioná-las no 2º segmento do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Não pode? O que pode um, não pode o outro?

O presente artigo tem por pretensão refletir e demonstrar algumas convenientes vantagens não muito acadêmicas conquistadas pelas IES que oferecem determinados cursos de pós-graduação Lato-Sensu, de 1 ano de duração, que habilitam o concluinte ao exercício profissional, mesmo que sua graduação não tenha sido da mesma área que aquela.
Pormenorizando a tese enunciada, pode-se ilustrar este problema com os cursos de formação de Especialistas em Educação (Orientação Educacional, Supervisão e Inspeção Escolar) e Psicopedagogia.
O questionamento sobre tal problemática não surgiu agora. A discussão remonta as mudanças ocorridas no tempo de duração dos cursos superiores, principalmente os de formação de professores, que passaram de quatro, no sistema anual, para três, na forma de semestralidade. Encurtaram a formação acadêmica dos professores e com ela a competência dos mesmos no mercado de trabalho. Hoje, qualquer pessoa que se disponha a fazer uma preleção, é chamada de professor. Assim o é com os técnicos de futebol, que, mesmo tendo a maioria fugido da escola na época em que deveria ter estudado, é caracterizado dessa maneira por seus jogadores.
O professor Rômulo Lins (2003)argumenta que


hoje a licenciatura tem a função impossível de formar um professor capaz de sobreviver mesmo em isolamento profissional (...)Ela passa a ser apenas uma iniciação que visa educar o olhar do futuro professor para ver a diferença e lidar com ela e educar os hábitos dele para o trabalho cooperativo com colegas (...) O objetivo da licenciatura é educar futuros professores. Por isso eu argumento que o grande problema das licenciaturas em Matemática é o modelo 3+1, equivalente a três anos de estudo de Matemática mais um ano de Pedagogia. Por estar centrada nos conteúdos e não na formação profissional, essa proposta contribui pouco para iniciar o licenciando em sua vida profissional. E isso acontece em quase todas as licenciaturas, boas ou ruins..

A ponderação feita pelo profissional acima, vem ao encontro das observações que se pretende alinhavar nesse espaço, começando, como demonstram as evidências até aqui manifestadas, pelas polêmicas situações da formação acadêmica dos professores.
Para contribuir com tal proposição, é ainda o citado profissional quem afirma, que “os professores não são mal preparados. Mal preparado é o modelo de formação docente”.
Mesmo que se insistisse no sistema antigo de formação, a (de)formação continuaria, pois o modelo 3+1, ou seja, três anos de formação específica e somente um de pedagógica não estaria contribuindo em nada no sentido de habilitar o profissional para um bom desempenho na sala de aula. Diminuiu-se um ano de permanência na instituição, mas a proporção estatística continuou a mesma, sendo 75% do tempo para a formação específica e o restante para a pedagógica.
Se a graduação do profissional da educação encontra-se nessa perspectiva, não é necessário muito esforço de memória para se compreender os caminhos pelos quais trilhará uma pós-graduação, principalmente no campo da pedagogia ou psicopedagogia. Carecem àqueles profissionais de respaldos teóricos, que os propiciem uma melhor concepção da educação enquanto fenômeno de mudanças, primeiro de e no próprio indivíduo, no sentido maturaniano de autopoiese, de dentro para fora. Entender, que o conhecimento acontece no interior do indivíduo, quando da internalização do meio externo. O encontro entre sujeito e objeto e a influência de um sobre o outro.
Não se pretende aguçar uma polêmica pelo simples fato da estratégia textual. O tema, acredita-se, há muito vem sendo burilado na cabeça de inúmeros profissionais, mas pouquíssimos são os que se arriscam a socializar as suas inquietudes. Uma dessas angústias fez nascer o pensamento de que, se como qualquer professor das chamadas disciplinas do Núcleo Comum de matérias, como, por exemplo, Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História, Língua Inglesa, Biologia e etc, pode fazer pós-graduação em Orientação Educacional e atuar como tal, quem é Orientador Educacional pode fazer, também, uma pós em qualquer uma dessas disciplinas citadas e lecioná-las no 2º segmento do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. O que pode fazer um, pode fazer o outro.
Vale ressaltar, que o norteamento dessas reflexões deve-se pela angústia maior de uma experiência de vinte e sete anos de formação e comprometimento com as causas educativas e, o que merece mais cuidados e melindres, com a formação de futuros profissionais da educação. Portanto, cabe uma ressalva quanto ao título desse artigo, onde espera-se uma compreensão aos empréstimos feitos das obras “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída” e “Febeapá”. Aguarda-se o entendimento de que ao longo desse tempo, muito se drogou e deveras se prostituiu profissionalmente, face os moldes de formação docente e que não se conseguiu, diante de tantos aviltamentos, fugir do FEBEAPEBRA (Festival de Besteira que Assola a Pedagogia Brasileira).
Não se pode acreditar que todas as IES que propõem essas modalidades de cursos, estejam profundamente preocupadas com a formação acadêmica dos alunos que a elas acorrem, assim como, também, não se pode pensar o mesmo deles. Congrega-se, neste caso, a fome com a vontade de comer. Motivos financeiros movem os dois, configurando o que Darcy Ribeiro caracterizava como a nação dos diplomados em que prevalece a crença de que papéis são mais importantes do que a competência e o conhecimento.
É preciso entender, que a verdadeira formação do profissional da educação, passa bem longe da faculdade e das várias e toscas aulas de seus professores. Vale nesse momento, resgatar o bom senso inserido no senso comum de que não é a faculdade que forma o aluno e sim o contrário. Cabe mais a volição do aluno do que a boa vontade do professor. Aprender, construir conhecimentos, produzir saberes não se compram nos bares e lanchonetes, que se fazem anexos das faculdades. São fenômenos intrínsecos ao indivíduo.

* Título enquanto corruptela das obras “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída” e “FEBEAPÁ”
¹. Mestre em Educação pela UERJ, professor do Ensino Médio e Orientador Educacional da Rede Pública Municipal de Cabo Frio, professor de Gestão da Unidade Escolar I e II e de TCC da Faculdade de Educação Silva Serpa, no Município de São Pedro da Aldeia e, atualmente, ocupando o cargo de Chefe do Serviço de Orientação Educacional de 5ª a 8ª séries, de Ensino Médio e EJA na Secretaria Municipal de Educação de Cabo Frio.
Referências Bibliográficas
LINS, Rômulo. A formação exige prática. Disponível em:
http://novaescola.abril.com.br. Edição Nº 165 – Setembro de 2003. Acesso e captura em23 abr. 07.
PONTE PRETA, Stanislaw. FEBEAPÁ 2. Rio de Janeiro, GB. Editora Sabiá, 1967.
HERMANN, Kai; RIECK, Horst. Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída. 4. ed. São Paulo: Difusão Editorial, 1982.


domingo, 22 de abril de 2007

ADORO SEPULCROS CAIADOS E LÁGRIMAS DE CROCODILO



Arnaldo Jabor
Eu adoro a estética da corrupção. Adoro a semiologia dos casos cabeludos sob suspeita, adoro a reação dos implicados, adoro o vocabulário das defesas, das dissimulações, as carinhas franzidas dos acusados na TV, ostentando dignidade, adoro ver ladrões de olhos em brasa, dedos espetados, uivos de falsas virtudes e, mais que tudo, lágrimas de crocodilo.
Todos alegam que são sérios, donos de empresas "impecáveis". Vai-se olhar as empresas, e nunca nada rola normal, como numa padaria. As empresas sempre são "em sanfona", uma dentro da outra, en abîme , sempre têm holdings, subsidiárias, são firmas sem dono, sem dinheiro, sem obras, todas vagando num labirinto jurídico e contábil que leva a um precioso caos proposital, pois o emaranhado de ladrões dificulta apurações.
Me emociona a amizade dentro das famílias corruptas, principalmente no Nordeste. Ohh, Deus! Lá, creio eu, há mais amor do que entre picaretas paulistas ou cariocas. Lá existe uma simbiose maior no parentesco, mais calor humano, mais "fio de bigode". São inúmeros os primos, tios, ex-sócios, ex-mulheres que assumem os contratos de gaveta, os recibos falsos, todos labutando unidos, como Ali Babás sincronizados. Baixa-me imensa nostalgia de uma família que não tenho e fico imaginando os cálidos abraços, os sussurros de segredo nos cantos das casas avarandadas, o piscar de olhos matreiros, as cotoveladas cúmplices quando uma verba é liberada pela Sudam em 24 horas, os charutos comemorativos; tenho inveja dos vastos jantares nordestinos, repletos de moquecas e gargalhadas, piadas, dichotes, sacanagens tão jucundas, tão "coisas nossas", tão "alagoas", que me despertam ternura pela preciosidade antropológica de imagens como a piscina verde em Canapi, a barriga de Joãozinho Malta (lembra m?), a careca do PC Farias e as sobrancelhas de Jader. Esses signos e símbolos muito nos ensinaram sobre o Brasil real.
Adoro também ver as caras dos canalhas. Muitos são bochechudos, muitos têm cachaços grossos, contrastando com o style dos populares magros de seca, de fome, proletários chiques, elegantérrimos pela dieta da miséria.
Todos acumulam as mesmas riquezas: piscinas, fazendas, lanchões, miamis, todos têm amantes, todos têm mulheres desprezadas e tristes, com filhos oligofrênicos, deformados pelas doenças atávicas dos pais e dos avós.
Aprecio muito os bigodões e bigodinhos. Nas oligarquias, eles não usam a bigodeira severa de um Olívio Dutra, babando severidade, com um eco de stalinismo e machismo gaúcho, não. Os bigodes corruptos são matreiros, bigodes que ocultam origens humildes criadas à farinha d'água e batata-de-umbu, na clara ocultação de um acismo contra si mesmos, camuflando os ancestrais brancos cruzados com índios e negros, raquíticos por séculos de patrimonialismo.
Também gosto muito do vocabulário dos velhacos e tartufos. É delicioso ver a ciranda das caras indignadas na TV, as juras de honestidade, é delicioso ouvir as interjeições e adjetivos raros : "ilibado", "estarrecido", "despautério", "infâmias", "aleivosias"...
São palavras que ficam dormindo em estado de dicionário e só despertam na hora de negar as roubalheiras. São termos solenes, ao contrário das gravações em telefone, onde só rolam palavrões: "Manda a grana logo para o f.d.p. do banco, que é um grande *#@, senão eu vou #@** a mãe deste *#&@."
Outra coisa maravilhosa nos canalhas é a falta de memória. Ninguém se lembra de nada nunca: "Como? D. Sirleide, aquela mulher ali, loura, popozuda, de minissaia? Não me lembro se foi minha secretária ou não".
E o aparente descaso com o dinheiro? Na vida real, eles cheiram a grana como perdigueiros e, no entanto, se justificam: "Ihhh... como será que apareceu um milhão de reais na minha gaveta? Nem reparei. Ahhh... essa minha memória!..."
Adoro também ver as fotos das placas da Sudam. Sempre aparece um terreno baldio com a placa da Sudam e o nome pomposo da empresa fantasma, onde, às vezes, ao longe, um burro pensativo pasta...
E o objetivo "social" dos financiamentos da Sudam, da Sudene? Nunca é uma empresa para desenvolver algo; são ranários de 10 milhões, fabricas de componentes para piscinas, empresas de ursinhos de pelúcia, ou esta maravilhosa Usimar, que ia custar um bilhão de reais para fazer peças de carro, mais caro que três General Motors na caatinga.
Amo também ver o balé jurídico da impunidade. Assim que se pega o gatuno, ali, na boca da cumbuca, ali, na hora da mão grande, surgem logo os advogados, com ternos brilhantes, sisudos semblantes, liminares na cinta, cínica serenidade de cafajestes e, por trás deles, vemos as faculdades malfeitas, as chicaninhas decoradas, os diplomas comprados.
E logo acorrem os juízes das comarcas amigas, que dão liminares e mandados de segurança de madrugada, de pijama, no sólido apadrinhamento oligárquico, na cordialidade forense e freguesa, feita de protelações, desaforamentos,instâncias infinitas, até o momento em que surge um juiz decente e jovem, que condena alguém e é logo chamado exibicionista"...
Adoro as imposturas, as perfídias, as tretas, as burlarias, os sepulcros caiados, os cantos de sereia, as carícias de gato, os beijos de Judas, os abraços de tamanduá.
Adoro tudo, adoro a paisagem vagabunda de nossa vida brasileira, adoro esses exemplos de sordidez descarada, que tanto nos ensinam sobre o nosso Brasil.
Sou-lhes grato pelas sujas lições de antropologia, verdadeiros "gilbertos freyres" da endêmica sem-vergonhice nacional.
Só um sentimento me atormenta o coração: não sei porquê, também me passa pela cabeça a imagem dos corruptos chineses condenados e ajoelhados no chão, com o soldado alojando-lhes uma bala de fuzil na nuca.
Penso nestas cenas e sinto uma grande inveja da China. Por que será?
Disponível em: http://brasilbrasileiro.pro.br/ajabor2.htm. Acesso e captura em 22 abr. 07

sábado, 21 de abril de 2007

RETRATOS DO BRASIL













1ª foto= Povo na rua, protestando contra medida tomada por Hugo Chavéz, lá na Venezuela;
2ª foto= Torcedores para comprar ingresso para final do campeonato paulista de futebol;
3ª foto= Fãs aguardando show do Evanescence - SP;
A interpretação depende de cada internauta que acessar esse blog. Posso adiantar, que tais fotos nos permitem uma bela redação, um excelente artigo científico, vocês não acham?


sexta-feira, 20 de abril de 2007

O PODER DE UMA PICADURA

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PROSTRADA PELA PICADURA
A minha mulher também foi vítima do implacável mosquito. Ficou por três longos dias de “molho” na cama. Aqui em Cabo Frio o Bairro das Palmeiras é um dos vários locais onde a proliferação dos mosquitos, leva a doença ao estágio de quase epidemia. Em nosso condomínio, o surto é grande e o susto maior ainda, até porque, o número de imóveis fechados, que apresentam objetos acumuladores de água parada, é gritante.
Ser derrubado por um mísero inseto díptero, sem trocadilhos, é o fim da picada.
Em alguns lugares, face o alto índice de infortunados pela picadura do dito cujo, o poder judiciário expediu liminar para que agentes da Saúde Pública adentrassem os imóveis fechados. Mas, para que isso aconteça, alguns desgraçados têm que entrar em óbito.
Acredita-se, que o que se passa pela cabeça de determinados homens públicos, no que se refere ao caso em pauta, é a máxima de “numa guerra, perde-se alguns soldados, mas a guerra pode ser ganha”.
É preciso entender, que, neste caso, tem que ser pela vitória e pelo esforço da luta!



Principais criadouros do mosquito da Dengue e como você deve e pode colaborar:


1 - Manter as calhas sempre limpas; 2 - Guardar pneus em local coberto; 3 - Não deixar espalhados pelo quintal latas, plásticos, folhas secas acumulando água; 4 - Colocar areia grossa nos pratos de xaxim; 5 - Substituir a água das plantas por areia grossa; 6 - Manter as garrafas emborcadas ou em lugar coberto; 7 - Cobrir bem tambores e caixas d’água; 8 - Desinfetar periodicamente os ralos; 9 - Lavar os bebedouros dos animais com bucha; 10 - Manter as piscinas limpas e tratadas com cloro

Compenetrado para 2010

Compenetrado para 2010
Visto pela webCam

EU, COMPENETRADO!

EU, COMPENETRADO!

Eu_pela_camara_do_celular

Eu_pela_camara_do_celular

EUNAPAZ

EUNAPAZ
SORRISO É O ESPELHO DA ALMA.

EU

DE PÉ E À ORDEM... SEMPRE!

"PROF, FRANCISCO MATTOS OE DO ALFREDO CASTRO E MÁRCIA FRANCESCONI

ENCONTRO DE MAÇONS

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PANÓPTICO VIRTUAL

Boca da Barra - CF

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Serra do Rio Rastro (http://www.panoramio.com/photo/752018)

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O VERDE É LINDO!

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